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Acordo Mercosul-UE amplia exportação de móveis brasileiros

Redução gradual de tarifas e exigências de rastreabilidade devem elevar competitividade do setor e abrir espaço para produtos de maior valor agregado

Presidente Lula e presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

247 - A expectativa em torno do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, que criará uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, já começa a produzir efeitos no setor brasileiro de móveis de madeira. Com a implementação do tratado, a tarifa média de 8,7% atualmente paga pelo Brasil para exportar ao bloco europeu será reduzida gradualmente até chegar a zero em um prazo de dez anos.

Segundo informações divulgadas pelo Sebrae, a principal consequência para o setor será o aumento da competitividade no mercado europeu. A gestora nacional da Indústria da instituição, Renata Cândida, destaca que a redução tarifária tende a impactar diretamente o preço final do produto brasileiro no exterior.

“Quando as tarifas forem reduzidas ao longo da implementação do acordo, o móvel brasileiro tende a chegar ao comprador europeu com melhor condição de preço e isso abre espaço para aumentar volume, diversificar clientes e, principalmente, vender itens de maior valor agregado”, detalha Renata.

Dados da ApexBrasil e da Abimóvel indicam que, em 2024, o Brasil exportou US$ 763,1 milhões em móveis e colchões acabados. Desse total, 83,4% corresponderam a móveis prontos. Entre os principais itens embarcados estão os móveis de madeira para dormitório, que representaram 39,2% das exportações, e outros móveis de madeira, com participação de 28,1%.

Além da redução de tarifas, o acordo prevê mecanismos que podem beneficiar especialmente os pequenos negócios. Entre eles estão a criação de um portal público com informações detalhadas e consulta por código tarifário, a manutenção do drawback — incentivo fiscal à exportação — e a possibilidade de autocertificação de origem.

“Além do componente tarifário, há um conjunto de medidas que favorece especialmente pequenos negócios, como portal público com informações e consulta por código tarifário, manutenção do drawback (incentivo fiscal à exportação) e autocertificação de origem, reduzindo custo e burocracia nas operações”, afirma Renata Cândida.

No mercado europeu, os produtos brasileiros com maior potencial de inserção concentram-se em móveis de madeira e suas partes. A competitividade, contudo, estará associada não apenas ao preço, mas também à adoção de madeira certificada, proveniente de manejo sustentável, e à diferenciação por marca e design.

Para empresários do setor, o acordo representa uma oportunidade concreta, mas exige planejamento. Cíntia Weirich, empresária de móveis de madeira em Bento Gonçalves (RS), avalia que o tratado pode ampliar mercados e trazer maior previsibilidade às vendas externas.

“O resultado, porém, depende de preparo: produto consistente, qualidade, origem da madeira bem-organizada e capacidade de entregar com confiança. Quem se estruturar agora tem mais chance de transformar o acordo em vendas e crescimento duradouro”, afirma.

Preparação para exportar

O Sebrae orienta que pequenas empresas interessadas em acessar o mercado europeu observem uma série de requisitos técnicos e regulatórios. Entre os principais pontos está a conformidade e a rastreabilidade da madeira, com organização da cadeia de custódia para garantir procedência legal e sustentável, comprovação de origem e cumprimento dos procedimentos de diligência exigidos pela União Europeia. Como móveis de madeira e suas partes estão explicitamente no escopo regulatório europeu, a rastreabilidade torna-se requisito comercial indispensável.

Também é fundamental atenção às regras de origem e à documentação de comércio exterior, incluindo classificação correta do produto, formação de preço, elaboração de contratos e apresentação de evidências necessárias para usufruir das preferências tarifárias do acordo.

Por fim, o setor deve assegurar que os produtos atendam às especificações técnicas aplicáveis no mercado europeu e estruturar adequadamente a logística, com embalagem e acondicionamento apropriados, documentação de transporte regular e processos de entrega consistentes, de modo a consolidar presença sustentável no novo ambiente comercial que se desenha com o acordo Mercosul-União Europeia.