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Acordo Mercosul-UE amplia oportunidades para pequenos negócios brasileiros

Tratado em vigor desde 1º de maio cria ambiente favorável à exportação, reduz tarifas e incentiva micro e pequenas empresas em diversos setores

Exportações (Foto: ABr)

247 - A entrada em vigor do acordo entre Mercosul e União Europeia, no dia 1º de maio, inaugura uma nova etapa para a inserção internacional dos pequenos negócios brasileiros. Considerado o maior bloco de livre comércio do mundo, o tratado envolve 31 países e um Produto Interno Bruto (PIB) superior a US$ 22 trilhões, criando condições mais favoráveis para micro e pequenas empresas ampliarem sua presença no exterior.

De acordo com informações da Agência Sebrae de Notícias (ASN), o acordo abre uma série de possibilidades para empreendedores brasileiros, tanto na exportação de produtos quanto na importação de insumos e tecnologias que contribuam para elevar o nível de competitividade no mercado interno e externo.

A redução de tarifas deve impulsionar mais de 500 oportunidades de exportação em diversos segmentos. A expectativa é que pequenos negócios encontrem espaço principalmente em nichos compatíveis com sua capacidade produtiva, ampliando gradualmente sua atuação internacional.

Oportunidades em nichos e cadeias produtivas

Segundo o presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, o cenário é promissor para produtos com valor agregado e características específicas. “Abre-se uma janela de oportunidades ao longo do tempo para diversos produtos nacionais, ao mesmo tempo que as micro e pequenas empresas podem comprar insumos e tecnologia que as ajudem a ficar mais competitivas, inclusive para acessar melhor o próprio Mercosul e o continente africano. Tudo isso se soma aos mais de 544 novos mercados abertos no governo do presidente Lula.”

O dirigente também destaca a importância de atenção às exigências do mercado europeu. “É preciso levar em conta regulamentos, certificações, escala e impacto ambiental, além requisitos técnicos por produto”, recomenda.

Além da exportação direta, o acordo também beneficia empresas que atuam de forma indireta no comércio exterior. Pequenos negócios podem se integrar às cadeias produtivas de grandes कंपनias exportadoras, ampliando sua participação no mercado global.

Setores com maior potencial de crescimento

Entre os segmentos com maior potencial estão alimentação, bebidas e indústria leve. Produtos como frutas, café e mel, além da cachaça, aparecem como destaques, assim como itens dos setores moveleiro, moda, calçados e couro.

Um estudo elaborado pelo Sebrae aponta que a nova configuração tarifária deve favorecer a competitividade desses produtos, tanto pela redução de custos quanto pelo acesso facilitado ao mercado europeu.

Outro ponto relevante é o impacto positivo na modernização dos pequenos negócios. A possibilidade de adquirir insumos e tecnologias com menor custo tende a estimular ganhos de produtividade e qualidade, ampliando a capacidade de competir em mercados mais exigentes.

Desafios para adaptação ao mercado internacional

Apesar das oportunidades, a preparação das empresas é apontada como um dos principais desafios. Adequações em processos produtivos, padrões de embalagem e estratégias comerciais são fundamentais para atender às exigências do mercado europeu.

Rodrigo Soares reforça essa necessidade de adaptação. “Um dos grandes desafios é a preparação dessas pequenas empresas, desde a adequação de processo, à adequação de embalagem e também o modelo que envolve a forma de vender lá fora”, afirma.

O acordo, portanto, não apenas amplia o acesso a novos mercados, mas também exige uma transformação estrutural dos pequenos negócios brasileiros, que precisarão investir em qualidade, inovação e conformidade para aproveitar plenamente as oportunidades criadas pelo novo cenário internacional.