Agricultores da Amazônia transformam conservação em renda com carbono social
Projeto pioneiro do Sebrae e Ecam conecta pequenos produtores ao mercado de créditos de carbono, incentivando a manutenção da floresta em pé
247 - Agricultores familiares e pequenos produtores da Amazônia receberam um novo impulso para transformar a conservação da floresta em uma oportunidade concreta de desenvolvimento e geração de renda. Lançado nesta quinta-feira (16) durante o “Sebrae Conecta Economia Verde”, em Belterra (PA), o projeto Carbono Social foi criado para facilitar o acesso desses empreendedores ao mercado voluntário de carbono e a mecanismos de financiamento climático. Esta iniciativa pioneira do Sebrae, em parceria com a Equipe de Conservação da Amazônia (Ecam), começa como um projeto piloto em Santarém (PA) e tem planos de se estender para outros biomas, sempre respeitando as particularidades de cada território. As informações são do Sebrae Nacional.
Em sua fase inicial, que teve início em julho, o projeto envolve aproximadamente 150 agricultores familiares, abrangendo uma área de 15 mil hectares. Desse total, impressionantes 8,5 mil hectares já estão sob manejo sustentável, abrigando sistemas agroflorestais e florestas conservadas. O apoio aos produtores inclui desde o mapeamento de suas cadeias produtivas e capacitação até a criação de mecanismos que garantam a eles acesso direto à receita proveniente da venda de créditos de carbono. Parte dos recursos arrecadados será reinvestida nas próprias comunidades, fortalecendo um ciclo virtuoso de sustentabilidade.
Na solenidade de lançamento, o presidente nacional do Sebrae, Décio Lima, definiu a ambição do projeto. “O carbono social é mais do que um ativo ambiental: é uma nova rota de desenvolvimento inclusivo, que reconhece e remunera quem cuida da floresta e do solo”, declarou. O evento também contou com a presença do diretor-técnico nacional do Sebrae, Bruno Quick, do prefeito de Belterra, Ulisses Alves, e dos Enviados Especiais da COP30, Sérgio Xavier e Philip Yang.
Para Bruno Quick, o Carbono Social atua como uma ponte essencial. “O carbono social transforma boas práticas de produção em benefícios econômicos concretos para as comunidades. A partir dos resultados do piloto, queremos escalar o modelo para outros territórios da Amazônia e biomas do país, ampliando a geração de créditos com impacto social positivo”, explicou o diretor, destacando o potencial de replicabilidade da iniciativa.
Fábio Rodrigues, diretor técnico da Ecam, reforçou o poder da parceria. “Com o apoio do Sebrae, estamos criando oportunidades reais para que agricultores familiares e comunidades tradicionais possam transformar práticas sustentáveis em novas fontes de renda”. Ele acrescentou que o projeto já é uma realidade em outras regiões, como sul da Bahia e sul do Paraná, onde produtores já estão sendo efetivamente remunerados pelos serviços ambientais que prestam.
Da floresta ao mercado: a jornada do crédito
O processo de geração dos créditos de carbono social segue uma sequência técnica e rastreável. Primeiro, as propriedades são mapeadas para identificar as áreas já preservadas. Em seguida, técnicos especializados medem o estoque de carbono e a capacidade de absorção da floresta por meio da análise de biomassa, utilizando trabalho de campo e imagens de satélite. Os dados coletados passam por validação e ganham rastreabilidade na plataforma digital da ReSeed. O carbono, então registrado, é transformado em créditos certificados, que ficam prontos para serem comercializados. A venda desses créditos gera uma receita que retorna diretamente para os agricultores e comunidades, incentivando ainda mais a conservação.
Reconhecimento global
A relevância do Carbono Social ultrapassa as fronteiras nacionais. O lançamento do projeto antecede sua apresentação no "Corporate Investments into Forestry & Biodiversity", um dos principais eventos globais sobre investimentos corporativos em florestas e biodiversidade, que acontecerá em Londres. Esta projeção internacional evidencia o potencial de soluções originadas na Amazônia para o enfrentamento da crise climática e para a transição rumo a uma economia de baixo carbono.
Sobre o Projeto Carbono Social, trata-se de uma iniciativa que valoriza os serviços ambientais prestados por agricultores familiares e comunidades tradicionais, conectando-os ao mercado de carbono. O modelo aplica critérios internacionalmente reconhecidos de mensuração de carbono, integrados à metodologia da ReSeed, que combina indicadores ambientais e sociais. Seu caráter inovador está em unir a contabilidade de carbono a um impacto social mensurável, promovendo um novo paradigma de carbono inclusivo e rastreável.