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Aprenda a deslanchar em marketplaces com baixo capital

Especialista afirma que planejamento, escolha de categoria e uso da estrutura das plataformas reduzem a necessidade de altos investimentos iniciais

Aprenda a deslanchar em marketplaces com baixo capital (Foto: Reprodução/Rawpixel.com)

247 - Entrar no mercado de marketplaces já não exige alto capital inicial nem estrutura própria robusta. Dados da ABComm (Associação Brasileira de Comércio Eletrônico) indicam que a maioria dos novos vendedores digitais começa com operações enxutas, validando produtos e processos antes de ampliar os investimentos. O cenário revela uma mudança no perfil do empreendedor digital, que aposta em testes controlados antes de expandir.

Para Hugo Vasconcelos, especialista em vendas de produtos físicos por marketplaces, um dos erros mais frequentes de iniciantes é superestimar o volume de recursos necessários para começar. “O marketplace já entrega tráfego, pagamento e logística. O investimento inicial precisa ser compatível com a fase do negócio, não com o sonho de escala”, afirma.

A escolha da categoria é apontada como etapa decisiva. Segundo a ABComm, itens de consumo recorrente lideram o volume de pedidos no comércio eletrônico brasileiro, o que reduz o risco de estoque parado. “Produto bom não é o mais barato, é o que gira”, diz Vasconcelos, ao defender a priorização de mercadorias com demanda constante.

Outra recomendação é iniciar com um portfólio reduzido. Manter poucos produtos diminui o capital imobilizado e facilita o controle da operação. “Não faz sentido começar com dezenas de SKUs. Dois ou três produtos bem escolhidos são suficientes para validar a operação”, explica o especialista.

O uso da infraestrutura oferecida pelas próprias plataformas também contribui para reduzir custos iniciais. Marketplaces como Mercado Livre e Shopee disponibilizam meios de pagamento, sistemas antifraude e soluções logísticas integradas. “Isso elimina custos iniciais com site próprio, gateway de pagamento e contratos de frete”, afirma Vasconcelos.

Na área logística, modelos como envio facilitado e fulfillment permitem escalar a operação sem necessidade de estrutura física própria. Dados do setor indicam que vendedores que terceirizam parte da logística conseguem crescer sem ampliar significativamente os custos fixos. “Você paga por pedido, não por estrutura ociosa”, pontua.

A precificação adequada desde o início é considerada mais estratégica do que adquirir grandes volumes de mercadoria. Pesquisa do Sebrae aponta que erros na formação de preço estão entre as principais causas de desistência de pequenos negócios digitais. “Margem errada quebra mais negócio do que falta de venda”, diz Vasconcelos.

O especialista também recomenda estruturar anúncios antes de ampliar o estoque. Fotos de qualidade, descrições objetivas e títulos otimizados aumentam a taxa de conversão. “Um anúncio bem feito vende mais do que estoque cheio e mal apresentado”, afirma.

Por fim, a orientação é reinvestir o próprio faturamento e acompanhar métricas desde o primeiro pedido. Indicadores como taxa de conversão, custo logístico e margem devem ser monitorados continuamente. “O crescimento saudável acontece quando o negócio se financia”, explica. Ele conclui: “Marketplace não é aposta. É gestão diária, mesmo quando o faturamento ainda é pequeno”.

O contexto reforça a tendência de expansão do setor. No primeiro semestre de 2025, o comércio eletrônico brasileiro movimentou R$ 100,5 bilhões, segundo a ABComm, consolidando um ambiente que atrai novos vendedores pela possibilidade de iniciar com risco controlado e estrutura já disponível.