Artesanato de barro de Santana do São Francisco conquista indicação geográfica
Registro do INPI reconhece tradição sergipana, fortalece identidade territorial e amplia oportunidades de negócios, turismo e governança local
247 - O artesanato de barro de Santana do São Francisco, município localizado a 114 quilômetros de Aracaju, tornou-se a mais nova Indicação Geográfica (IG) do Brasil. O registro foi concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) nesta terça-feira (3), reconhecendo oficialmente a ligação direta entre o saber-fazer artesanal e o território sergipano.
Com a decisão, o país passa a contar com 153 Indicações Geográficas registradas, sendo esta a 19ª referente ao artesanato brasileiro. Para Sergipe, trata-se da segunda IG estadual, depois do reconhecimento da renda irlandesa de Divina Pastora, obtido em 2012. As informações são do Sebrae Nacional, que acompanha e apoia processos de reconhecimento de IGs em diversas regiões do país.
Para a analista de projetos da Unidade de Inovação do Sebrae Nacional, Maíra Fontenele Santana, o registro representa um avanço significativo para os artesãos e para a preservação cultural. “A valorização de um produto com registro de IG abre mais oportunidades de negócios, oferece mais segurança jurídica e fortalece a tradição no território”, afirma.
Segundo Maíra, os efeitos positivos do reconhecimento vão além do incremento nas vendas. “Estimula o turismo na região, abre oportunidades para mais parcerias tanto com o poder público quando empresas privadas, melhora a governança da região e reforça vínculos com a identidade local pelo senso de pertencimento”, destaca.
Atualmente, as 19 Indicações Geográficas de artesanato reconhecidas no Brasil abrangem 263 municípios, distribuídos por 12 unidades da Federação, nas regiões Nordeste, Norte, Sudeste e Centro-Oeste. O Nordeste concentra a maioria desses registros, com 13 IGs. De acordo com Maíra Fontenele Santana, há ainda dois pedidos de IG de artesanato em análise no INPI: a cerâmica de Rosário, no Maranhão, e as figuras de artesanato em argila de Taubaté, em São Paulo.
O Sebrae atua em diferentes etapas do processo de reconhecimento das Indicações Geográficas, com ações que envolvem capacitação de produtores, apoio técnico e estruturação da governança local. O objetivo é agregar valor aos produtos, fortalecer a organização coletiva e impulsionar o desenvolvimento econômico das regiões produtoras.
As Indicações Geográficas são identificadas por meio de um selo aplicado aos produtos e funcionam como um diferencial competitivo no mercado. Elas podem ser classificadas como Denominação de Origem (DO) ou Indicação de Procedência (IP), modalidade concedida ao artesanato de barro de Santana do São Francisco. Do total de 153 IGs brasileiras, 121 são IPs e 32 são DO.
A Denominação de Origem exige comprovação técnica e científica de que fatores naturais e humanos, como solo, clima e topografia, conferem características específicas ao produto ou serviço. Já a Indicação de Procedência está relacionada à reputação e à notoriedade de uma determinada região como origem reconhecida de um produto.
O reconhecimento do artesanato sergipano é a terceira IG concedida no Brasil em 2026. As duas anteriores foram registradas em janeiro, no Paraná, contemplando as tortas de Carambeí e o café da Serra de Apucarana.
A valorização do artesanato brasileiro é uma frente permanente do trabalho do Sebrae, que mantém, no Rio de Janeiro, o Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro (CRAB). Em 2026, o espaço completa 10 anos de atuação, consolidando-se como vitrine da importância cultural, social e econômica do artesanato nacional, por meio de exposições e produção de conteúdos dedicados ao setor.