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Artesãos terão apoio de R$ 28 milhões para ampliar formalização e acesso a mercados

Investimento federal busca fortalecer o setor com qualificação, modernização de cadastro e incentivo à comercialização em todo o país

Artesãos terão apoio de R$ 28 milhões para ampliar formalização e acesso a mercados (Foto: Divulgação )

247 - O governo federal anunciou um investimento de aproximadamente R$ 28 milhões para fortalecer o artesanato brasileiro, com foco na ampliação da formalização, qualificação profissional e acesso a novos mercados. A iniciativa foi destacada pelo Sebrae, que avalia a medida como estratégica para estruturar o setor e impulsionar a comercialização de produtos artesanais.

De acordo com a Agência Sebrae de Notícias (ASN), os recursos serão aplicados em três frentes principais: melhoria da infraestrutura para circulação da produção, modernização do sistema de cadastro nacional e qualificação dos profissionais. Esses pilares são considerados fundamentais para aumentar a renda dos artesãos e dar escala à atividade em todo o país.

O presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, ressaltou o impacto econômico e social do segmento. “O artesanato movimenta a economia, gera emprego e renda para milhares de famílias Brasil afora. Esses profissionais retratam a realidade dos territórios e geram renda e cidadania”, afirmou.

Entre as ações previstas está a modernização do Sistema de Informações Cadastrais do Artesanato Brasileiro (Sicab), além da entrega de 25 caminhões para apoiar a comercialização, 26 veículos administrativos e 52 notebooks destinados às coordenações estaduais — equipamentos que já foram distribuídos. O pacote também contempla a implantação de cinco novos Laboratórios Criativos, espaços voltados à capacitação prática, desenvolvimento de produtos com maior valor agregado e conexão com novos mercados.

Dados apresentados pelo Sebrae indicam que o artesanato brasileiro cresceu 26% na última década. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), cerca de 1,3 milhão de pessoas estão envolvidas em atividades relacionadas ao setor. Um estudo encomendado à Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) mostra que a distribuição dos artesãos acompanha a densidade populacional, com maior concentração na região Sudeste, responsável por 43,3% do total. Entre os estados, destacam-se Ceará (7,0%) e Pernambuco (3,6%).

Durante evento realizado no Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro (Crab), no Rio de Janeiro, também foi lançada a 6ª edição do Prêmio Sebrae TOP 100 de Artesanato, que busca ampliar a visibilidade e gerar oportunidades de negócios para profissionais do setor. As inscrições seguem abertas até 30 de abril.

Um dos vencedores da edição anterior, o artesão Miguel de Souza, destacou a importância da premiação para sua trajetória. “Mudou a questão da valorização do meu trabalho. Eu não tinha essa consciência antes. Costumo dizer que a porta se abriu para mim depois deste prêmio”, afirmou.

Miguel, que é a terceira geração de artesãos em sua família, mantém viva a tradição iniciada por sua avó, em Pernambuco, trabalhando principalmente com argila e temas ligados ao folclore e à religiosidade. “A partir do Prêmio TOP 100, comecei a ser convidado para ir a eventos em vários estados e, com isso, fui conhecendo lojistas, colecionadores e hoje estou muito bem no mercado com o meu trabalho”, completou.