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Artesãs ribeirinhas transformam floresta amazônica em renda sustentável

A artesã e ativista Elizângela “Vidinha” Cavalcante mostra como cultura, floresta em pé e solidariedade podem impulsionar o empreendedorismo na Amazônia

A empreendedora, artesã e pedagoga Elizângela Conceição Cavalcante, conhecida na região como Vidinha. (Foto: Divulgação)

Beatriz Bevilaqua, 247 - Na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Uatumã, no Amazonas, o artesanato tem se consolidado como uma alternativa de geração de renda aliada à preservação da floresta. A iniciativa reúne saberes tradicionais, manejo sustentável da madeira e organização comunitária, com protagonismo feminino.

Uma das lideranças desse movimento é a empreendedora, artesã e pedagoga Elizângela Conceição Cavalcante, conhecida na região como Vidinha. Natural de Itacoatiara (AM), ela atua na valorização da cultura ribeirinha e no fortalecimento de iniciativas econômicas sustentáveis dentro da comunidade.

O grupo conta hoje com um plano de manejo florestal certificado, que permite a utilização controlada da madeira da região. A iniciativa possibilitou a criação de uma marcenaria comunitária, onde são produzidas peças artesanais. “Nós temos um plano de manejo, e é esse plano de manejo que nos inspirou a ter a nossa marcenaria aqui na RDS Uatumã”, explica Vidinha.

Segundo ela, a implementação do projeto contou com apoio técnico do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam). Entre os produtos produzidos estão cuias, petisqueiras em formato de folha, suportes para garrafas de óleo e garrafas feitas em madeira. 

“E o que sobra dessa madeira? O que que nós vamos fazer? E aí eu pensei em fazer chaveiros.” A iniciativa de aproveitar os resíduos da produção deu origem às primeiras peças de biojoias. Com o tempo, os chaveiros deram lugar também a colares e outros acessórios, ampliando a linha de produtos artesanais da comunidade.

Loja comunitária fortalece economia local

Os produtos são comercializados na Casa do Artesão Ribeirinho Uatumaense, conhecida como loja Caru, espaço criado pela própria comunidade para reunir e vender a produção local.

O local funciona em um prédio que antes estava abandonado. Após mobilização da comunidade, formalização do espaço e reforma, o lugar passou a abrigar a loja coletiva e também o ateliê de biojoias da artesã. Além da venda direta, a comunidade também recebe visitantes por meio de iniciativas de turismo regenerativo, o que amplia as oportunidades de comercialização.

A ideia de formar um coletivo feminino ganhou força após a participação de Vidinha em um programa nacional de liderança. “Eu fui escolhida entre as 20 lideranças brasileiras femininas”, conta.

De volta à RDS Uatumã, ela criou o grupo “Mulheres Resolvidas da RDS Uatumã”. O coletivo já participou de oficinas de crochê, cestaria, macramê, produção de sabão e extração de óleo de coco, ampliando as possibilidades de geração de renda.

Para a artesã, o trabalho desenvolvido na comunidade também está diretamente ligado aos desafios ambientais globais. Na avaliação dela, enfrentar as mudanças climáticas exige mais cooperação entre as pessoas e menos lógica de competição.

“Nós precisamos dar nossas mãos e trabalhar mais em conjunto e com menos competitividade. Porque o planeta é de todos.” Segundo Vidinha, iniciativas locais, como o fortalecimento do artesanato e da economia comunitária, também fazem parte de um esforço maior de cuidado com a floresta e com o futuro comum.

Assista aqui na íntegra: