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Atacado pelos EUA, Pix lidera pagamentos nos pequenos negócios brasileiros

Ferramenta é aceita por 96% dos pequenos negócios no Brasil e entra em investigação comercial dos Estados Unidos sobre supostas práticas desleais

Pix (Foto: Marcello Casal Jr. / Agência Brasil)
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247 - O Pix se consolidou como o principal meio de pagamento utilizado pelos pequenos negócios brasileiros e, ao mesmo tempo, passou a integrar o centro de uma disputa comercial envolvendo os Estados Unidos. Dados do Sebrae mostram que 96% dos pequenos empreendimentos aceitam a modalidade em suas vendas, evidenciando a forte presença da ferramenta no cotidiano das empresas de menor porte.

As informações foram divulgadas pela Agência Sebrae de Notícias (ASN), com base em pesquisas realizadas pelo Sebrae e por dados do Banco Central. O sistema brasileiro de pagamentos instantâneos foi citado pelo governo dos Estados Unidos em uma investigação comercial que analisa supostas “práticas desleais”, sob o argumento de que o Pix representaria uma concorrência estatal aos serviços privados de cartões de crédito.

A discussão ocorre em meio à avaliação norte-americana sobre a possibilidade de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A decisão poderá ser anunciada até 15 de julho. Para o Sebrae, entretanto, o Pix representa uma ferramenta essencial para reduzir custos operacionais, ampliar a eficiência financeira e facilitar as transações realizadas por milhões de empreendedores em todo o país.

Pix domina recebimentos dos pequenos negócios

Levantamento da pesquisa “Hábitos Financeiros dos Pequenos Negócios”, conduzida pelo Sebrae em parceria com o Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), aponta que quase seis em cada dez proprietários de pequenos negócios utilizam o Pix como principal forma de recebimento pelas vendas realizadas.

O estudo também revela que 53% dos empreendedores preferem utilizar a ferramenta para efetuar pagamentos a fornecedores e parceiros comerciais. O dado reforça o papel do sistema não apenas como meio de recebimento, mas também como instrumento de gestão financeira das empresas.

Entre os microempreendedores individuais (MEIs), a adesão é ainda mais expressiva. Segundo a pesquisa, 97% utilizam o Pix como alternativa de pagamento. Além disso, para 28% desses empreendimentos, mais de 75% do faturamento é recebido por meio da plataforma. Outros 20% afirmam que o sistema responde por cerca de 51% das receitas obtidas.

Sebrae critica investigação norte-americana

O presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, contestou as alegações apresentadas pelos Estados Unidos e classificou a avaliação como inadequada diante da realidade do mercado brasileiro.

“É uma avaliação injusta e infundada por parte do governo dos Estados Unidos porque o sistema de pagamento não interfere no comércio e nas relações das empresas do setor de cartões de crédito. Mais do que isso, é uma forma de pagamento que não tem mais volta e se tornou a queridinha dos pequenos negócios pelo rápido recebimento e para a manutenção do fluxo de caixa dessas empresas. No fundo, é uma das formas que o setor utiliza para criar mais oportunidades de crescimento e aumentar a geração de empregos”, afirmou.

Para o dirigente, o sucesso da ferramenta está diretamente ligado aos benefícios oferecidos aos empreendedores, especialmente no que diz respeito à rapidez das operações e à melhoria da liquidez dos negócios de menor porte.

Mercado bilionário desperta interesse global

Dados do Banco Central mostram a dimensão alcançada pelo sistema desde sua criação. Atualmente, o Pix reúne cerca de 170 milhões de usuários pessoas físicas, o equivalente a aproximadamente 80% da população brasileira, além de mais de 24 milhões de usuários pessoas jurídicas.

A movimentação financeira anual supera R$ 30 trilhões, valor que corresponde a quase três vezes o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e a cerca de 20% do PIB dos Estados Unidos. Para Rodrigo Soares, esses números ajudam a explicar o interesse econômico em torno do sistema.

“Este é o tamanho do mercado que seria disputado pelas Big Techs (Apple Pay, Google Pay, Amazon Pay, Meta Pay e Microsoft), se o Banco Central não oferecesse esse serviço de forma gratuita e referência de eficiência mundial”, declarou.

Na avaliação do presidente do Sebrae, a controvérsia envolvendo o Pix está mais relacionada à disputa por um mercado altamente lucrativo do que a questões comerciais entre os dois países. “Não se trata de prática desleal de comércio, alegado por Trump para impor aumento de tarifas sobre nossas exportações. Mas sim, disputa de mercado”, afirmou.

Pix se tornou o principal meio de pagamento do país

Lançado em novembro de 2020 pelo Banco Central, o Pix atingiu um nível de popularização considerado raro para sistemas financeiros, alcançando ampla adoção em menos de quatro anos de operação.

Atualmente, a ferramenta é o meio de pagamento mais utilizado pelos brasileiros. Sua expansão ocorreu de forma acelerada entre consumidores, empresas e instituições financeiras, substituindo progressivamente modalidades tradicionais de transferência e pagamento.

Em 2025, o sistema registrou seu maior volume anual desde a criação. Segundo o Banco Central, foram movimentados R$ 35,4 trilhões ao longo do ano, distribuídos em quase 80 bilhões de transações. O resultado representou um crescimento de 33,6% no valor total transferido em comparação com o ano anterior, consolidando o Pix como um dos principais pilares da infraestrutura financeira brasileira.