“Brasil é referência internacional em tecnologia financeira”, diz brasileiro que leva o Pix para o mundo
Adoção massiva do sistema brasileiro impulsiona startups, exportação de tecnologia e novos modelos de negócio no setor financeiro
Beatriz Bevilaqua, 247 - O Pix não apenas transformou a forma como os brasileiros lidam com dinheiro, como também colocou o país no centro do mapa global da inovação financeira. Lançado em 2020 pelo Banco Central, o sistema de pagamentos instantâneos se consolidou rapidamente como uma ferramenta de inclusão, eficiência, baixo custo e hoje inspira soluções internacionais.
À frente desse movimento de internacionalização está o engenheiro e empreendedor Victor Cunha, fundador da fintech PixNow, que desenvolveu uma solução de pagamentos transfronteiriços em tempo real conectando o Pix a redes financeiras de outros países. A proposta permite que brasileiros paguem com Pix no exterior e que estrangeiros utilizem sistemas semelhantes ao Pix em território nacional.
Antes do Pix, transferências bancárias no Brasil eram marcadas por burocracia, custos elevados e limitações de horário. TEDs e DOCs podiam custar até R$ 15 por transação e só eram liquidados em dias úteis. O Pix rompeu esse modelo ao permitir transferências gratuitas, instantâneas e disponíveis 24 horas por dia para pessoas físicas.
Segundo dados do Banco Central, mais de 75% da população brasileira utiliza o Pix mensalmente. A adoção massiva transformou o sistema em uma infraestrutura essencial do sistema financeiro nacional. “O impacto foi quase um tsunami no mercado brasileiro”, resume o fundador da PixNow.
Do Brasil para o mundo
O sucesso doméstico despertou o interesse internacional. Cunha participou, apenas no último ano, de cerca de dez grandes feiras globais de tecnologia financeira, em cidades como Las Vegas, Lisboa e Singapura. Em uma delas, considerada a maior feira bancária do mundo, o Pix foi apresentado como um dos modelos mais avançados de pagamentos instantâneos em operação.
“Durante muito tempo, o Brasil foi importador de inovação. Hoje, especialmente no setor financeiro, somos exportadores de tecnologia e conhecimento”, afirma. Além do Brasil, China e Índia também se destacam no cenário global. Mas, segundo Cunha, o diferencial brasileiro está no comportamento do consumidor. “O brasileiro testa, adota rápido e, quando funciona, a adesão é explosiva. Isso não acontece em muitos outros mercados.”
Para o empreendedor, o Pix deve ser entendido como uma base, uma “versão 1” da infraestrutura financeira. A partir dela, surgem novas soluções, como crédito instantâneo, pagamentos integrados e serviços internacionais.
É nesse contexto que nasce a PixNow, que opera o chamado “Pix Internacional” ou “Pix-Câmbio”. A solução já está presente em 11 países da América Latina e permite, por exemplo, que um brasileiro pague um hotel, restaurante ou táxi no exterior escaneando um QR Code em reais, com conversão automática e liquidação em tempo real para o comerciante local.
“Você paga como se estivesse no Brasil, e o estabelecimento recebe na moeda local, instantaneamente”, explica. O fluxo também funciona no sentido inverso: estrangeiros podem pagar no Brasil usando aplicativos de bancos de seus países, com uma experiência semelhante ao Pix. A tecnologia também atende exportadores de serviços, como desenvolvedores brasileiros que prestam serviços para empresas no exterior e recebem pagamentos de forma imediata.
Empreender para competir globalmente
Cunha defende que o Brasil precisa de mais empreendedores dispostos a competir globalmente. Para ele, o segredo está em começar pequeno, validar o modelo e, desde o início, pensar grande. “Você pode começar na sua rua, no seu bairro, mas o mundo também está ao seu alcance, seja vendendo sorvete ou tecnologia.”
O próximo passo, segundo Cunha, já está em curso. A tendência é a consolidação de pagamentos baseados em biometria facial, digital ou da palma da mão, reduzindo fraudes e tornando o processo ainda mais invisível para o usuário.
“Antes, ninguém saía de casa sem carteira. Hoje, ninguém sai sem o celular. Em breve, talvez nem do celular a gente precise mais”, projeta.
Ao transformar o Pix em uma plataforma global, iniciativas como a PixNow reforçam o protagonismo brasileiro em um setor estratégico da economia digital. Mais do que um meio de pagamento, o Pix se consolida como símbolo de um país capaz de inovar, escalar e exportar soluções para o mundo.
Assista na íntegra aqui: