Brasileiros de 35 a 54 anos priorizam abrir negócio próprio
Pesquisa do Sebrae mostra que empreender lidera os sonhos da população dessa faixa etária, superando objetivos como comprar imóvel e viajar pelo país
247 - O desejo de abrir o próprio negócio se consolidou como o principal sonho dos brasileiros entre 35 e 54 anos. Dados da mais recente edição da Global Entrepreneurship Monitor (GEM) apontam que 41,1% das pessoas nessa faixa etária colocam o empreendedorismo no topo de seus objetivos de vida em 2025.
As informações foram divulgadas pela Agência Sebrae de Notícias, com base em levantamento realizado pelo Sebrae em parceria com a Associação Nacional de Estudos de Empreendedorismo e Gestão de Pequenas Empresas (Anegepe). O estudo mostra que o interesse pelo empreendedorismo cresceu em relação ao ano anterior, quando o índice era de 37,7%.
O levantamento revela ainda que, para os brasileiros de 35 a 54 anos, o sonho de empreender ultrapassou metas tradicionais, como comprar a casa própria e viajar pelo Brasil. Entre os entrevistados desse grupo, 38,8% citaram o desejo de adquirir um imóvel, enquanto 36,5% afirmaram sonhar em viajar pelo país.
Interesse por empreender varia conforme a idade
A pesquisa também identificou diferenças significativas entre as gerações. Entre os jovens de 18 a 34 anos, ter o próprio negócio aparece na terceira posição entre os maiores sonhos, sendo mencionado por 43,8% dos entrevistados.
Já entre pessoas de 55 a 64 anos, o empreendedorismo cai para a quarta posição, com 26,1% das respostas. Na faixa de 65 a 74 anos, o percentual recua ainda mais, chegando a 12,7%.
O presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, destacou que os sonhos tendem a ser mais intensos nas gerações mais jovens, especialmente porque ainda estão em busca de grandes realizações pessoais e profissionais.
Sebrae aponta retomada do interesse em 2025
Segundo Rodrigo Soares, o comportamento identificado pela pesquisa acompanha o momento vivido pela população brasileira. Ele ressaltou que o desejo de empreender apresentou oscilações importantes nos últimos anos.
“O sonho de ter o negócio próprio é maior entre os mais jovens, diminuindo nas faixas etárias mais velhas. ‘Principalmente entre os mais novos, notamos uma oscilação que corresponde ao momento vivido pela população’”, afirmou o presidente do Sebrae.
Ainda de acordo com Soares, o grupo de 35 a 54 anos registrou forte crescimento no interesse pelo empreendedorismo a partir de 2019, alcançando cerca de 60% nos anos de 2020 e 2022. Depois disso, houve retração em 2023 e 2024, seguida de recuperação em 2025.
“Nesse grupo, o sonho de ter o próprio negócio se acentuou a partir de 2019, atingindo os 60% nos anos de 2020 e 2022, com duas quedas sucessivas em 2023 e 2024. Em 2025, porém, houve um aumento relevante, saindo de 37,7% para 41,1%”, declarou Rodrigo Soares.
Sonho de empreender perde força entre idosos
O estudo mostra que o avanço da idade influencia diretamente o interesse pelo empreendedorismo. Segundo o Sebrae, conforme os brasileiros envelhecem, a motivação para abrir um negócio tende a diminuir.
“Para os brasileiros da última faixa registrada na GEM, de 65 a 74 anos, o índice de quase 13% representa metade do percentual atingido pelos entrevistados da faixa anterior, de 55 a 64 anos, comprovando que essa motivação arrefece com o passar do tempo”, explicou Rodrigo Soares.
Além do empreendedorismo, os entrevistados citaram outros objetivos pessoais relevantes. Entre os jovens de 18 a 35 anos, os principais sonhos são comprar a casa própria, viajar para o exterior e abrir um negócio.
Na faixa de 55 a 64 anos, viajar pelo Brasil aparece em primeiro lugar, seguido da compra de um automóvel e da aquisição da casa própria. Já entre pessoas de 65 a 74 anos, viajar pelo país continua liderando a lista de desejos.
Pesquisa é referência mundial em empreendedorismo
A Global Entrepreneurship Monitor é considerada uma das maiores pesquisas sobre empreendedorismo no mundo. O estudo é realizado anualmente no Brasil desde o ano 2000 e integra um projeto internacional que já envolveu mais de 100 países.
No país, a pesquisa passou a contar com o apoio do Sebrae a partir de 2001. A iniciativa reúne dados sobre comportamento empreendedor, intenções de negócios e tendências econômicas da população brasileira.
