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Carnaval brasileiro fortalece pequenos negócios da economia criativa

Festa movimenta moda autoral, adereços e customização, gera renda e empregos e reforça práticas sustentáveis apoiadas pelo Sebrae em várias regiões do país

Carnaval brasileiro fortalece pequenos negócios da economia criativa (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

247 - O Carnaval brasileiro movimenta uma ampla cadeia de pequenos negócios criativos ligados à produção de fantasias, adereços, moda autoral e customização de abadás. Considerada um dos principais motores da economia criativa no país, a festa gera renda, empregos temporários e oportunidades de empreendedorismo em diferentes territórios, além de aquecer setores como turismo, comércio e serviços.

Levantamento do Mercado das Indústrias Criativas do Brasil (MICBR), vinculado ao Ministério da Cultura, aponta que a economia criativa responde por 3,11% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e emprega cerca de 7,5 milhões de pessoas em mais de 130 mil empresas formalizadas. Artes visuais, moda autoral, design, audiovisual, música e artes cênicas fazem parte desse ecossistema, que ganha ainda mais visibilidade durante o período carnavalesco. As informações foram divulgadas pelo Sebrae, que atua no apoio e na profissionalização desses empreendedores.

Além do impacto econômico direto, o Carnaval também tem estimulado práticas mais sustentáveis entre pequenos produtores. A reutilização de materiais, a customização de peças antigas e o uso de insumos recicláveis em fantasias e adereços vêm se consolidando como modelos de negócio alinhados à economia circular. Glitter biodegradável, tecidos reaproveitados e acessórios feitos a partir de resíduos têxteis já integram a rotina de muitos ateliês criativos.

Para o Sebrae, investir na qualificação desses empreendedores é fundamental para que a festa continue sendo não apenas um espetáculo cultural, mas também um instrumento de desenvolvimento econômico e social. “O evento é de extrema importância para a economia criativa e, consequentemente, para os empreendedores do setor, porque envolve diretamente toda a cadeia produtiva. Estamos falando das fantasias, da dança, do enredo, da criatividade, da criação dos desfiles, sem contar o impacto positivo no turismo, nas hospedagens, bares, restaurantes e nos serviços em geral”, afirma Denise Marques, analista de Economia Criativa do Sebrae Nacional.

Segundo Denise Marques, a instituição oferece soluções como programas de capacitação, conteúdos digitais, ferramentas de gestão e aplicativos voltados ao microempreendedor individual. “O Sebrae atua para fortalecer esses pequenos negócios, ajudando na gestão, na formalização e na ampliação de mercado”, destaca.

Um estudo da plataforma de comércio eletrônico Nuvemshop mostra que micro e pequenas empresas que vendem produtos de Carnaval pela internet faturaram R$ 2,7 milhões entre 1º de janeiro e 25 de fevereiro de 2025, crescimento de 32% em relação ao mesmo período de 2024. No intervalo, foram vendidos mais de 81 mil itens, volume 10% superior ao do ano anterior. Os acessórios lideraram as buscas, com destaque para brincos, bandanas e tiaras, enquanto a categoria “fantasia” ultrapassou R$ 700 mil em vendas, alta de 29%. Os abadás tiveram crescimento expressivo, com aumento de 3.000% no número de unidades comercializadas.

Em Brasília (DF), a empreendedora Giovana Dachi comanda a Gia Dachi Carnaval, marca criada em 2017, inicialmente chamada Parangolés, com a proposta de desenvolver roupas autorais que pudessem ser usadas além dos dias de festa. A empresa aposta no upcycling e no reaproveitamento de tecidos descartados por grandes produções e pequenas confecções locais. “O foco sempre foi trabalhar com retalhos selecionados, com bom acabamento e durabilidade. Começamos priorizando a compra de sobras têxteis e, com o tempo, toda a produção passou a ser feita a partir de descarte de tecido”, explica Giovana.

Ela observa o fortalecimento do Carnaval na capital federal e a maior procura por peças autorais com viés sustentável. “É perceptível como a identidade carnavalesca de Brasília vem se consolidando, com consumidores buscando cada vez mais produtos criativos e conscientes. Estamos construindo essa cultura e sou entusiasta desse movimento”, afirma. Ao longo da trajetória, Giovana contou com orientações do Sebrae para estruturar a gestão do negócio.

No Rio de Janeiro (RJ), o artesão Antenor Alves da Silva Júnior, do ateliê Santuário Relicário, atua há 17 anos na produção de adereços para blocos de rua, inspirado em manifestações da cultura popular brasileira. “Criei a marca com o objetivo de valorizar e divulgar a cultura popular brasileira em todos os sentidos. No Carnaval, senti a dificuldade das pessoas encontrarem peças originais, que fugissem do industrializado, e resolvi oferecer esse diferencial”, relata. Assistido pelo Sebrae Rio, ele incorporou práticas sustentáveis ao reaproveitar materiais de fantasias antigas. “O Carnaval é uma grande vitrine. É nesse período que muita gente conhece minha marca e continua comprando ao longo do ano”, diz.

Em Salvador (BA), a empreendedora Najara dos Santos Souza é fundadora da N Black – Moda Afrobrasileira, criada em 2005. Durante o Carnaval, ela se destaca na customização de abadás, transformando as peças em criações exclusivas. “Muitas vezes, em dez dias de Carnaval conseguimos faturar o que levaríamos dois ou três meses para alcançar. Além disso, geramos emprego e renda para costureiras, artesãs e pequenos ateliês da comunidade”, afirma.