Chocolate de assentamento baiano amplia mercado e formação
Produção do Chocolate Rebelde, em Arataca, cresce, alcança oito estados e fortalece a formação técnica de jovens do campo
247 - Produzido no assentamento Terra Vista, no município de Arataca, o Chocolate Rebelde vem ampliando sua presença no mercado e se consolidando como uma experiência bem-sucedida de agroindustrialização integrada à formação técnica de jovens do meio rural. A iniciativa agrega valor à produção de cacau da agricultura familiar e reforça a permanência de famílias no campo.
O empreendimento é fruto da Reforma Agrária e de políticas públicas de incentivo à agricultura familiar promovidas pelo Governo da Bahia, por meio da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural da Bahia (SDR). O projeto tornou-se referência de organização coletiva e resistência produtiva, reunindo agricultores e agricultoras assentados.
Criado em 2011 sob o nome Chocolate Artesanal Terra Vista, o projeto ganhou novo fôlego em 2018, com a inauguração da Fábrica-Escola. A estrutura passou a atuar diretamente na qualificação de estudantes do curso técnico em Agroindústria do Centro Estadual de Educação Profissional da Floresta do Cacau e do Chocolate Milton Santos, localizado no próprio assentamento.
Entre os estudantes que participam da rotina produtiva está Anthony Santos, neto de assentados, que acompanha o processo desde a infância. “Aos 13 anos, fui convidado a conhecer o processo de fabricação e, quando ingressei no curso técnico, foi natural estagiar aqui. Esse aprendizado representa uma oportunidade de qualificação e contribui para que os moradores permaneçam no assentamento, valorizando a produção local”, afirma.
O avanço da produção — que atingiu 500 quilos em 2025 — e o aprimoramento da qualidade levaram a um reposicionamento estratégico da marca. A mudança incluiu a adoção do nome “Chocolate Rebelde” e uma nova identidade visual, alinhada aos valores do projeto.
Segundo o coordenador da fábrica, Robson Pinheiro, a nova fase busca traduzir princípios sociais e ambientais. “Esse novo conceito busca representar a luta pela alimentação orgânica e sustentável, bem como a igualdade entre os povos. As embalagens trazem imagens de animais da nossa fauna e reforçam o trabalho com sistemas agroflorestais e a preservação da mata ciliar. Também marca esta fase de expansão, em que já alcançamos oito estados, com potencial de ampliar ainda mais a produção e a distribuição”, destaca.
A expansão também trouxe impactos diretos na estrutura produtiva e na geração de empregos. “Antes, contávamos com quatro colaboradores. Hoje, são 12 colaboradores internos e quatro externos, além dos estudantes em estágio. Estamos finalizando um projeto de reforma da unidade e de aquisição de novos maquinários, em parceria com a CAR”, explica o coordenador.
Em 2026, o portfólio foi ampliado com o lançamento de novos produtos, como a trufa de chocolate — apresentada durante a celebração dos 34 anos do assentamento, em 8 de março, Dia Internacional da Mulher — além de licor de chocolate, chá em sachê da película do cacau e chocolate com café. As novidades se somam a outros 13 itens já desenvolvidos.
Chá de cacau amplia aproveitamento do fruto
Entre as inovações, o chá de cacau desponta como uma das principais apostas da marca. Rico em antioxidantes e com potencial de contribuir para a regulação da pressão arterial e o funcionamento do sistema digestivo, o produto reforça o conceito de aproveitamento integral do fruto.
“Desenvolvemos o chá em sachê a partir da película do cacau, podendo ser consumido puro ou combinado com hortelã, hibisco, cidreira ou capim-limão. É uma experiência de sabor que surpreende”, destaca a nutricionista da fábrica, Kessia Souza.
Combinando produção sustentável, inovação e formação técnica, o Chocolate Rebelde consolida-se como um modelo de desenvolvimento rural que alia geração de renda, educação e valorização da agricultura familiar.
