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Classe C lidera empreendedorismo e redefine mercado de trabalho

Estudo do Instituto Locomotiva e Sebrae mostra que busca por autonomia, renda maior e ascensão social impulsiona negócios próprios no Brasil

Classe C lidera empreendedorismo e redefine mercado de trabalho (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil )

247 - Os empreendedores da Classe C já representam quase metade do total de donos de negócios no Brasil, evidenciando uma transformação estrutural no perfil do empreendedorismo no país. Os dados fazem parte de um estudo realizado pelo Instituto Locomotiva em parceria com o Sebrae, que aponta o chamado “corre” ou “viração” como traço histórico das camadas populares que ajuda a explicar esse protagonismo.

O levantamento indica que o que antes era uma alternativa emergencial de subsistência passou a se consolidar como projeto de vida. Esse movimento está associado tanto ao desejo de ascensão social quanto à perda de atratividade do emprego formal sob o regime da CLT, cada vez mais percebido como limitado em termos de crescimento e remuneração.

A pesquisa mostra que 46% dos brasileiros acreditam ser possível melhorar de vida por conta própria. Em contraste, apenas 8% esperam avanços concretos por meio de políticas públicas e 3% depositam expectativas na empresa onde trabalham. Outros 22% confiam na ajuda de Deus ou da igreja, enquanto 13% acreditam no suporte familiar como caminho para melhorar as condições de vida.

Entre os principais atrativos do empreendedorismo estão a flexibilidade, a autonomia e a possibilidade de ganhos superiores aos oferecidos pelo mercado formal. Para muitos, abrir o próprio negócio surge como uma alternativa mais promissora diante de jornadas rígidas, salários considerados baixos e perspectivas limitadas de progressão profissional.

A insatisfação com o trabalho formal também aparece como fator relevante. Longas jornadas, deslocamentos exaustivos e, em alguns casos, ambientes corporativos considerados tóxicos ou abusivos contribuem para a decisão de empreender. Soma-se a isso a percepção de que o aumento da escolaridade não tem sido acompanhado por crescimento proporcional na renda.

De acordo com o estudo, entre 2004 e 2024, a média de anos de estudo dos brasileiros com 25 anos ou mais passou de 7 para 11 anos. No mesmo período, porém, a renda mensal média do trabalho principal recuou de R$ 6.937 para R$ 6.561, indicando uma desconexão entre qualificação e retorno financeiro.

O presidente do Sebrae, Décio Lima, destaca que o empreendedorismo figura há anos entre os principais sonhos da população brasileira, conforme apontam pesquisas do Monitor Global de Empreendedorismo. Segundo ele, a atividade tem papel central na geração de renda e inclusão social no país.

“O sonho de ser dono do próprio negócio motiva milhões de homens e mulheres que lutam para manterem a si e suas famílias. E não apenas isso, mas geram emprego e renda e criam inclusão social, mobilizando comunidades inteiras em todo o país”, afirma.

Décio Lima também ressalta a importância da atuação do Estado para fortalecer esse cenário. “Para que o país cresça de forma consistente e com inclusão, o Estado social precisa garantir o fomento e o ambiente legal necessário para ampliar a produtividade e competitividade dessas empresas com políticas públicas que garantam acesso a crédito, inovação e capacitação. O que representa mais oportunidade e inclusão”, conclui.