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Comida natural para cães dispensa freezer e abre nova frente no mercado pet

Sem congelamento e com foco em saúde e praticidade, a Sociedade Canina cresce apostando em novo comportamento dos tutores e em um mercado pouco explorado

Empreendedora Jeovana Vazzoler, cofundadora da Sociedade Canina, empresa que aposta em comida 100% natural para cães (Foto: Divulgação)

Beatriz Bevilaqua, 247 - Os cães deixaram de ocupar o quintal e passaram a dividir o sofá e, cada vez mais, as preocupações com saúde e qualidade de vida. É nesse deslocamento silencioso dentro das casas brasileiras que surgem novas oportunidades de negócio. Uma delas vem da alimentação natural para pets, um segmento ainda pequeno, mas em rápida expansão.

À frente desse movimento está a empreendedora Jeovana Vazzoler, cofundadora da Sociedade Canina, empresa que aposta em um diferencial incomum: comida 100% natural para cães, sem necessidade de congelamento. Em entrevista ao programa “Empreender Brasil”, na TV 247, ela explica como transformou um hábito de vida em modelo de negócio  e por que acredita que o Brasil ainda está só começando a mudar a forma como alimenta seus animais.

Essa visão, no entanto, não surgiu por acaso. Tem origem direta na sua própria história. “Eu venho de uma família que sempre acreditou no poder do alimento de verdade. Para mim, a comida natural sempre foi o normal. A ração não era.”

É justamente dessa experiência pessoal que nasce a leitura de mercado que sustenta o crescimento da empresa. Segundo Jeovana, esse avanço não pode ser entendido isoladamente, mas como parte de uma transformação mais ampla no comportamento dos tutores. O ponto de virada, afirma, foi a combinação entre novas gerações e a pandemia.

“O cão que antes ficava no quintal veio para dentro de casa. E, quando isso acontece, ele passa a receber os mesmos cuidados que os humanos daquele ambiente.” Ela observa que o movimento não é exclusivo do Brasil. “É uma tendência mundial. Os Estados Unidos e a China já têm esse comportamento mais consolidado, e o Brasil vem seguindo.”

Essa mudança impacta diretamente o consumo. Tutores mais jovens, casais sem filhos ou com apenas um filho, passam a tratar o pet como membro central da família, inclusive na alimentação.

O desafio da praticidade na alimentação natural

A Sociedade Canina nasceu de uma frustração comum: a dificuldade de manter uma dieta natural na rotina. Antes da empresa atual, Jeovana e seu sócio já atuavam com alimentação congelada. Mas o modelo esbarrava em limitações. “O congelado era uma barreira. O tutor esquecia de descongelar, tinha dificuldade para viajar. Não era prático.”

A solução veio com o uso de uma tecnologia já aplicada na alimentação humana. “Trouxemos um processo que já existe, não tem mágica. É o cozimento dentro da embalagem, sem oxigênio, em autoclave. Isso impede a proliferação de microrganismos.”

Na prática, o alimento pode ser armazenado fora da geladeira até ser aberto. “É o mesmo princípio de produtos que vemos no mercado, como alimentos prontos embalados. Depois de aberto, sim, precisa refrigerar.”

Nutrição como estratégia de longevidade

Mais do que conveniência, o foco está na saúde dos animais. A empresa investe em formulações completas, com acompanhamento técnico de especialistas. “Nosso objetivo foi criar uma receita que não exigisse suplementação externa. Trabalhamos com veterinários, zootecnistas e nutrólogos para isso”, explica.

Entre os diferenciais, está a inclusão de ingredientes funcionais. “Fomos os primeiros a colocar zeólita na alimentação natural. É um mineral que atua na desintoxicação, como uma esponja que absorve toxinas.”

A empresa também aposta em prebióticos e em uma visão mais ampla da nutrição. “Olhamos o processo como um todo, de ponta a ponta.” Além disso, há planos de expansão para linhas específicas. “Estamos desenvolvendo produtos para cães com condições específicas, como problemas renais, alergias e para animais idosos.”

Apesar do crescimento, a alimentação natural ainda representa uma fatia pequena do setor pet no Brasil. “Hoje, ela corresponde a cerca de 3% ou 4% do mercado de pet food. Nos Estados Unidos, já chega a 15%”, afirma Jeovana.

O dado revela um espaço significativo para expansão, mas também um desafio. “Nosso papel não é só vender. É de conscientização. Mostrar que existem alternativas, que há estudos indicando benefícios, inclusive de longevidade.”

Segundo ela, cães alimentados com dieta natural ao longo da vida podem viver mais. “Há pesquisas que apontam até três anos de diferença.”

Como em qualquer negócio no Brasil, os desafios são muitos, especialmente a carga tributária. Ainda assim, Jeovana sustenta que o propósito é o que mantém o projeto de pé. “Quando você tem um objetivo claro, os problemas viram obstáculos menores. Eles existem, mas não te paralisam.”

Esse propósito tem direção clara. “Eu quero oferecer para o maior número de cães possível o mesmo cuidado que eles recebem dentro de casa.”

A trajetória da Sociedade Canina vai além da inovação em produto. Ela revela uma mudança cultural em andamento na forma como os brasileiros se relacionam com seus animais e, a partir disso, redefine também quais negócios ganham relevância.

Assista a entrevista na íntegra aqui: