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Como líderes renovam equipes exaustas para o ciclo de 2026

Dados globais revelam queda no bem-estar e no engajamento, enquanto especialista aponta caminhos para transformar exaustão em energia estratégica

Como líderes renovam equipes exaustas para o ciclo de 2026 (Foto: Vitaly Gariev/Unsplash)

247 - O encerramento do ano corporativo tem sido marcado por um cenário de desgaste emocional e queda de engajamento entre profissionais em diferentes setores. Às vésperas de 2026, empresas lidam com equipes sobrecarregadas pelo acúmulo de metas, pressões e desafios que se intensificam no fechamento do ciclo anual.

Levantamentos recentes da Gallup indicam que 62% dos profissionais no mundo relatam algum nível de esgotamento emocional. No Brasil, dados do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho apontam mais de 1 milhão de afastamentos entre 2012 e 2023 relacionados a transtornos de saúde mental, evidenciando um problema estrutural que afeta diretamente a produtividade e a sustentabilidade das organizações.

Para Alexandre Slivnik, especialista em excelência de serviços, vice-presidente da Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento (ABTD) e professor convidado da FIA/USP, o momento exige uma mudança de postura por parte das lideranças. “As equipes chegam a dezembro emocionalmente carregadas. O papel da liderança não é exigir mais, mas ajudar as pessoas a ressignificar o ano que passou e enxergar propósito no que virá. Sem isso, nenhuma estratégia se sustenta”, afirma.

Com mais de duas décadas de atuação na formação de líderes e no desenvolvimento de metodologias de engajamento aplicadas por milhares de profissionais, Slivnik avalia que a transição de um ano para outro combina fragilidade emocional e oportunidade de reconstrução. “O engajamento sempre segue a lei da gravidade: vem de cima para baixo. Quando o líder acolhe, reconhece e dá direção, a equipe recupera energia”, diz.

Pesquisas ajudam a explicar o comportamento das equipes no fim do ano. Segundo a Gallup, 59% dos colaboradores relatam queda de motivação nos dois últimos meses do calendário. O mesmo levantamento aponta que equipes que recebem reconhecimento frequente podem ser até três vezes mais engajadas, com potencial de elevar a rentabilidade das empresas em até 24%.

Estudos da Fundação Getulio Vargas (FGV) reforçam o impacto da cultura organizacional nesse contexto. Ambientes baseados em confiança conseguem reduzir a rotatividade em até 25% e aumentar a produtividade em 32%, resultados diretamente ligados à forma como líderes se comunicam e valorizam seus times.

Na avaliação de Slivnik, o esgotamento não decorre apenas do volume de trabalho, mas principalmente da ausência de significado. “O colaborador até suporta pressão, mas não suporta falta de sentido. Quando o ano termina sem reconhecimento ou clareza, a equipe inicia o próximo ciclo já desgastada”, afirma.

Entre as estratégias defendidas pelo especialista está a inversão de prioridades no fechamento do ano. Para ele, o reconhecimento deve anteceder qualquer cobrança. “O time precisa ouvir o que funcionou. A crítica vem depois, de forma estruturada e equilibrada.” Dados da Gallup indicam que o reconhecimento está entre os principais fatores de motivação no ambiente corporativo.

Outro ponto central é a ressignificação do período que se encerra. Slivnik explica que líderes eficazes ajudam suas equipes a interpretar o ano a partir dos aprendizados, e não apenas das lacunas. Pesquisas da Harvard Business Review mostram que organizações orientadas por propósito apresentam ciclos de inovação mais consistentes e níveis superiores de engajamento.

A clareza também surge como elemento decisivo para reduzir o desgaste. “Não se trata de motivar, mas de dar direção. Pessoas cansadas precisam de norte.” A comunicação transparente, segundo ele, diminui a ansiedade, reduz ruídos internos e fortalece a capacidade produtiva das equipes.

Além disso, criar pausas intencionais faz parte do processo de recuperação. Um estudo da Deloitte aponta que empresas com práticas estruturadas de bem-estar podem obter retorno de até quatro vezes o valor investido. Slivnik defende que líderes legitimem momentos de descanso, reorganizem agendas e reduzam reuniões não essenciais, especialmente em dezembro.

O preparo emocional para o novo ciclo é outro fator destacado. “Não há planejamento estratégico possível quando a equipe está emocionalmente esgotada.” O especialista recomenda rituais simples de fechamento, espaços de escuta e mensagens alinhadas ao propósito organizacional. “O time entra em janeiro com a sensação de recomeço, não de continuidade da exaustão.”

A atenção a esses aspectos ganha ainda mais relevância diante dos dados sobre rotatividade. Estudos indicam que o início do ano concentra os maiores índices de demissão voluntária. De acordo com a FGV, ambientes que oferecem clareza, reconhecimento e liderança empática registram até 35% menos desligamentos, reduzindo custos que podem chegar ao dobro do salário anual de cada profissional substituído.