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Consumidor busca indulgência e muda estratégia do varejo alimentar

Tendência do “eu mereço” cresce no Brasil e leva empresas a investir em conveniência, proximidade e experiência de compra para atender hábitos imediatos

Divulgação

247 - Quem nunca recorreu a um chocolate no fim do dia para aliviar o estresse da rotina? Esse comportamento, longe de ser pontual, vem se consolidando como uma tendência global de consumo. Levantamento da especialista em inteligência de mercado Innova Market Insights aponta que 22% dos consumidores no mundo buscam pequenos prazeres alimentares como forma de lidar com a tensão diária, enquanto um em cada cinco transforma esses momentos de “recompensa” em um hábito cotidiano.

No Brasil, o movimento também ganha força e já chama a atenção do varejo. De acordo com Douglas Pena, sócio-fundador e CRO da Minha Quitandinha, startup de tecnologia em varejo que atua no modelo de franquia de minimercado autônomo, o chamado consumo por indulgência revela um perfil de cliente focado em conveniência, conforto emocional e imediatismo. As informações fazem parte de análises de mercado citadas pelo executivo, com dados de pesquisas da Innova Market Insights e da Scanntech em parceria com a McKinsey.

“No Brasil, as pesquisas também apontam o desenvolvimento do mercado de indulgências, como uma tendência que não pode ser ignorada. O levantamento da Scanntech, em parceria com a McKinsey, mostra que houve trade-up no segmento, ou seja, o consumidor está disposto a escolher uma opção de maior valor ou qualidade na hora da compra. No entanto, para aproveitar melhor esse interesse, é importante pensar não apenas em produtos, mas na experiência de compra”, afirma Pena.

Segundo o executivo, atender esse tipo de demanda exige estratégia e uma leitura atenta do comportamento do consumidor, já que se trata de um consumo pouco planejado e altamente influenciado pelo contexto do momento. Um dos pilares é a conveniência. “Esse tipo de consumo não é planejado, é orgânico. Por isso, é essencial pensar na disponibilidade dos produtos, se são fáceis de encontrar, se estão bem posicionados no ponto de venda e se fazem parte da rotina do consumidor no momento em que o desejo surge. É isso que vai fazer a diferença na hora da conversão e na fidelização”, explica.

Outro fator decisivo é a proximidade. Para Pena, estar fisicamente próximo do consumidor aumenta as chances de atender ao impulso de compra. “Os minimercados de condomínio, como a Minha Quitandinha, são privilegiados porque estão logo no saguão do condomínio, mas mesmo assim nós queremos estar ainda mais próximos, por isso, inauguramos unidades em condomínios comerciais e até em universidades. Cada tipo de negócio possui seus próprios desafios, mas é importante pensar em como se inserir cada vez mais na rotina”, destaca.

A agilidade também aparece como elemento central na experiência de compra. De acordo com o CRO da Minha Quitandinha, o consumo por indulgência costuma ocorrer em pequenos intervalos do dia, o que torna o tempo um fator crítico. “Este tipo de consumo está muito ligado às pausas que o consumidor encontra ao longo do dia, como o intervalo entre uma reunião e outra, por isso a rapidez no pagamento é primordial. Oferecer um sistema ágil de pagamento é um diferencial. Em nossas unidades, por exemplo, utilizamos o QPay, em que o cliente consegue finalizar a compra em apenas 19 segundos”, avalia.

Além disso, a autonomia do cliente ganha relevância em uma rotina cada vez mais acelerada. A possibilidade de localizar o produto, se servir e concluir a compra sem intermediários se tornou um diferencial competitivo. “Entendemos que nossos clientes consideram a autonomia um diferencial, e o crescimento do modelo de minimercado autônomo mostra isso. Ainda assim, mesmo em outros negócios, é importante focar na autonomia como uma estratégia de atendimento”, indica Pena.

Por fim, o mix de produtos precisa acompanhar as mudanças de comportamento e as variações sazonais. Embora o chocolate seja quase unânime quando se fala em indulgência, outras categorias também ganham espaço. “Os chocolates são quase uma unanimidade, mas existem outros produtos que se integram à categoria de indulgência, como biscoitos, snacks, barrinhas, balas, entre outros. Há ainda o impacto sazonal, no verão, por exemplo, os alimentos gelados são protagonistas. Mas com estratégia, essa tendência definitivamente é uma aliada dos negócios”, conclui o executivo.