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Ecossistema de startups cresce, mas escala é exceção

Relatório do Sebrae aponta alta de 26,7% nas startups em 2025, com maioria ainda em ideação ou validação e apenas 2,4% em estágio de escala

Ecossistema de startups cresce, mas escala é exceção (Foto: Reprodução/Freepik )

247 - O imaginário do ecossistema de inovação costuma associar startups a crescimento acelerado, sucessivas rodadas de investimento e expansão nacional ou global em poucos anos. No entanto, dados do Sebrae indicam um cenário mais heterogêneo e distante do modelo “cresça ou morra”. As informações constam no Sebrae Startups Report Brasil 2025.

Segundo o levantamento, em dezembro de 2025 o Observatório Sebrae Startups identificava 22.869 startups ativas no país, o que representa um aumento de 26,7% em relação ao ano anterior. Apesar da expansão no número total de empresas, a maior parte ainda está nos estágios iniciais de desenvolvimento. Do total mapeado, 37,7% encontram-se na fase de validação e 25,1% em ideação. Apenas 2,4% atingiram o estágio de escala.

Os números ajudam a situar o debate que ganhou força após o arrefecimento do ciclo de euforia do venture capital. O crescimento acelerado, que durante anos foi tratado como sinônimo de sucesso, aparece como exceção dentro do panorama nacional.

“Existe uma narrativa dominante de que startup precisa escalar em velocidade exponencial. Os dados mostram que o ecossistema é muito mais diverso. Há empresas que encontram sustentabilidade e impacto mesmo sem hiperescala”, afirma Cristina Mieko, Head de Startups do Sebrae.

Crescimento sustentável e previsível

Uma parcela significativa das startups brasileiras opta por crescimento orgânico, preservação do controle societário e geração de caixa desde os primeiros anos. O report revela que 56,1% das empresas mapeadas declararam não ter faturamento no momento do levantamento, evidenciando forte presença de negócios ainda estruturando produto e mercado. Entre as que faturam, predominam receitas anuais de até R$ 360 mil.

O modelo de receita também reforça essa estratégia. Cerca de 39,1% das startups operam com assinatura (SaaS), formato que favorece previsibilidade e recorrência. “Para muitos empreendedores, o sucesso está em construir uma operação financeiramente saudável e recorrente. Escalar é uma possibilidade, mas não é a única métrica de êxito”, diz Cristina.

Nichos e especialização

O levantamento mostra espaço relevante para empresas que optam por atuar em nichos específicos, em vez de buscar expansão nacional ou internacional acelerada. Tecnologia da Informação lidera entre os segmentos, com 14,5% das startups, seguida por Saúde e Bem-Estar (11,8%) e Educação (8,5%). São áreas que permitem especialização vertical e atendimento a cadeias produtivas ou públicos específicos.

Metade das startups (50,5%) adota o modelo B2B, atendendo outras empresas. Nesse formato, o crescimento tende a ocorrer de maneira gradual, com ciclos comerciais mais longos e expansão por carteira de clientes. “Nichos bem-atendidos podem gerar negócios robustos e duradouros. O impacto econômico não depende necessariamente de escala massiva, mas de resolver problemas reais com eficiência”, afirma Cristina Mieko.

Sustentabilidade antes da hiperescala

Os dados de maturidade revelam um ecossistema ainda em consolidação: além dos 37,7% em validação, 23,7% estão em tração. A predominância de software (39,3%) e serviços (35,8%) como principais produtos indica modelos menos intensivos em capital, em comparação a hardware ou deeptech.

Nesse contexto, priorizar equilíbrio financeiro tem se mostrado estratégia recorrente. “O ciclo recente de mercado reforçou a importância de modelos sustentáveis. Crescimento sem base financeira sólida deixou de ser prioridade. Hoje, maturidade e eficiência ganham espaço”, comenta Cristina Mieko.

Inovação distribuída pelo país

O mapeamento também evidencia um ecossistema mais distribuído regionalmente. Embora o Sudeste concentre 36% das startups, o Nordeste já responde por 25,2% e registrou o maior crescimento percentual na comparação anual. Estados como Pernambuco, Bahia e Rio Grande do Sul se destacam pelo avanço recente.

Esse movimento aponta para a consolidação de polos regionais de inovação, com empresas voltadas a demandas locais, como agronegócio, turismo, saúde pública, educação técnica e serviços especializados. “O fortalecimento de pólos fora do eixo tradicional mostra que inovação não é sinônimo de centralização. Muitos negócios encontram mercado suficiente em seus próprios territórios”, avalia Cristina.

Os dados do Sebrae indicam que o ecossistema brasileiro de startups é formado majoritariamente por empresas em construção, muitas delas focadas em nichos ou mercados regionais. A ideia de crescimento exponencial como regra universal perde espaço diante de uma realidade em que estabilidade, impacto local e geração de valor sustentável também definem sucesso