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Empreendedoras negras faturam 59% menos que homens brancos

Estudo do Sebrae aponta desigualdade racial e de gênero nos negócios, com menor renda, escolaridade e acesso a oportunidades para mulheres negras

Empreendedoras negras faturam 59% menos que homens brancos (Foto: Freepik )

247 - As mulheres negras donas de negócios no Brasil enfrentam uma significativa desigualdade de renda em comparação a outros grupos. É o que revela um estudo do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, elaborado com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua. O levantamento aponta que essas empreendedoras faturam, em média, 59% menos do que homens brancos e 46% abaixo do rendimento de mulheres brancas.

Além da disparidade nos ganhos, o estudo evidencia o impacto do recorte racial na estrutura familiar dessas empreendedoras. Entre as mulheres negras à frente de negócios, 57,9% são chefes de domicílio, enquanto 29,6% ocupam a posição de cônjuges. Já entre as mulheres brancas empreendedoras, 49,5% são chefes de família e 36,4% são cônjuges, o que indica uma diferença relevante na responsabilidade econômica assumida por cada grupo.

A desigualdade também se reflete no nível de escolaridade. De acordo com os dados da PNAD Contínua, apenas 25% das mulheres negras donas de negócio possuem ensino superior incompleto ou mais. Entre as mulheres brancas, esse percentual praticamente dobra, chegando a 48%, o que reforça a disparidade no acesso à educação e suas consequências no desempenho econômico.

Para a diretora de Administração e Finanças do Sebrae Nacional, Margarete Coelho, o cenário revela avanços, mas ainda carrega desafios estruturais. “O cenário do empreendedorismo feminino no Brasil é de vitalidade e de crescimento, com mulheres demonstrando capacidade de formalizar e gerir seus negócios e assumir a chefia de seus lares. Contudo, as barreiras raciais e de gênero persistem e se manifestam em rendimentos consideravelmente menores e em um acesso desigual à educação superior para mulheres negras”, afirma.

A diretora também destacou as iniciativas da instituição para enfrentar esse quadro. “Atuamos com empenho para fortalecer as oportunidades de crescimento e de autonomia dessas mulheres, por meio de garantias no acesso ao crédito, capacitações e consultorias.”

Os dados de renda média reforçam o tamanho da desigualdade no país. Enquanto homens brancos registram rendimento médio de R$ 5.143,68, mulheres brancas recebem, em média, R$ 3.874,44. Já entre a população negra, os homens têm renda média de R$ 2.868,40, e as mulheres negras aparecem na base da pirâmide, com R$ 2.090,16.

O estudo do Sebrae aponta que a redução dessas desigualdades passa, necessariamente, por políticas e ações que ampliem o acesso ao crédito, à qualificação profissional e à inovação, especialmente para mulheres negras empreendedoras, grupo que segue enfrentando barreiras históricas no ambiente de negócios brasileiro.