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Empreendedoras sociais se unem para diminuir a fila do SUS

SAS Brasil, fundada por Adriana Mallet e Sabine Bohonini, atua em mais de 350 cidades de 24 estados, beneficiando mais de 1,5 milhão de pessoas

A médica Adriana Mallet e a educadora física Sabine Bohonini, fundadoras da SAS Brasil. (Foto: Divulgação )

Beatriz Bevilaqua, 247 - Diante dos inúmeros desafios da saúde pública brasileira, duas empreendedoras sociais têm se destacado por transformar realidades com inovação e tecnologias acessíveis e centradas nas pessoas. A médica Adriana Mallet e a educadora física Sabine Bohonini, fundadoras da SAS Brasil, unem expertises distintas para levar atendimento de qualidade a quem mais precisa.

Desde 2013, elas vão até cidades onde faltam profissionais de saúde, oferecendo uma solução itinerante que abrange desde a prevenção até o diagnóstico e tratamento, impactando diretamente as filas do Sistema Único de Saúde (SUS).

Com atuação em mais de 350 cidades de 24 estados, beneficiando mais de 1,5 milhão de pessoas, a SAS Brasil surgiu para enfrentar o problema sistêmico da desigualdade no acesso à saúde. Segundo dados recentes, cerca de 65 milhões de brasileiros vivem sem acesso adequado a cuidados médicos, em grande parte pela concentração dos profissionais em apenas 6% dos municípios.

A SAS oferece soluções inovadoras como cabines de teleatendimento, exames ginecológicos remotos, plataformas e unidades de telemedicina avançada. Em parceria com instituições como a Unicamp, Roche e a Phillips Foundation, a organização criou o Living Lab, laboratório pioneiro em saúde digital e inovação social no Brasil.

Em entrevista ao “Empreender Brasil”, na TV 247, Sabine Bohonini relembra o momento decisivo: “Em 2013, numa tarde chuvosa em São Paulo, assistimos ao documentário ‘Quem Se Importa’, que contou histórias inspiradoras de empreendedores sociais. Ali, nosso propósito foi chamado. Saímos do cinema com a certeza de que devíamos retribuir nossos privilégios e começar a agir”.

Para Adriana Mallet, a caminhada exigiu aprendizado constante: “Começamos com financiamento coletivo, uma equipe pequena, e fizemos nossa primeira expedição com tendas e atendimentos básicos. Aprendemos a identificar as necessidades reais de cada comunidade e a trabalhar em parceria com o SUS”.

Tecnologia como aliada da saúde

A tecnologia, que muitas vezes é vista com desconfiança, tornou-se uma aliada fundamental para a SAS. Sabine explica que o diferencial está em usar a inovação com um propósito claro: “Hoje, conseguimos fazer em uma hora o que levávamos cinco dias no início. Desenvolvemos plataformas que facilitam o acesso, como atendimento por WhatsApp, que simplifica o contato dos pacientes com a telemedicina sem barreiras tecnológicas”.

Além disso, a organização utiliza inteligência artificial para otimizar diagnósticos, especialmente em câncer de colo do útero, reduzindo em metade o número de consultas necessárias para o diagnóstico.

Adriana destaca: “O SUS é um sistema incrível, mas enfrenta gargalos. Nosso papel é fortalecer essa rede, criando uma ponte entre a atenção básica e a especializada, com soluções que se adaptam à realidade do país”.

Quebrando a bolha entre academia e empreendedorismo social

Para Sabine, o maior desafio não é apenas a tecnologia, mas integrar os mundos da academia e do empreendedorismo social. “Muita gente não vê como unir estudo científico e inovação prática. Essa ponte é fundamental para criar soluções que realmente funcionam no dia a dia das pessoas”.

Adriana complementa: “A Unicamp, por exemplo, nos ajuda a transformar evidências do nosso trabalho em ciência reconhecida. Essa conexão fortalece o impacto e a sustentabilidade do que fazemos”.

Com a meta de impactar 50 milhões de pessoas até 2030, o Grupo SAS é um exemplo de como a combinação entre propósito, inovação e parceria pode gerar mudanças concretas. Sabine resume a motivação da dupla: “A saúde alegra a vida, e nosso sonho é que essa alegria chegue a cada vez mais brasileiros”.

Assista a entrevista na íntegra aqui: