Empreendedores apoiam mudança na escala 6x1
Pesquisa do Sebrae aponta que 47% dos empreendedores não veem impacto da mudança, enquanto 73% da população apoiam a medida sem redução salarial
247 - O debate sobre o fim da escala de trabalho 6x1 ganhou força ao longo do último ano, especialmente após o governo federal declarar apoio à alteração do modelo. O tema, que afeta diretamente micro e pequenas empresas — responsáveis por cerca de 80% do saldo de empregos gerados no país desde 2023 — é alvo de quatro projetos em tramitação no Congresso Nacional e não encontra oposição majoritária entre os empreendedores.
Dados da 9ª edição da Pesquisa Pulso dos Pequenos Negócios, realizada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) entre novembro e dezembro de 2024, mostram que 47% dos donos de micro e pequenas empresas, além de microempreendedores individuais, avaliam que o fim da escala não traria impactos para seus negócios. Apenas cerca de 32% consideram que a mudança poderá ser prejudicial.
Entre os segmentos que não projetam efeitos negativos estão academias, logística, beleza, agronegócio e economia criativa. O levantamento indica que, apesar das incertezas, parte significativa dos pequenos empresários enxerga espaço para adaptação ao novo modelo de jornada.
O presidente do Sebrae, Décio Lima, afirma que a instituição defende mudanças construídas por meio do diálogo. “O Sebrae está ao lado do povo brasileiro, para que as pessoas tenham mais dignidade, tranquilidade e condições de vida que as possibilitem produzir mais e melhor. Entendemos que as mudanças na jornada devem ser feitas com diálogo e a partir de uma negociação com amplos setores da sociedade, garantindo segurança jurídica e sustentabilidade para empresas e trabalhadores”, afirma.
Ele acrescenta que a alteração pode trazer efeitos positivos não apenas sociais, mas também econômicos. “Acreditamos que o fim da escala 6×1, além de melhorar a qualidade de vida da população, pode proporcionar um aumento da oferta de emprego e avanços em produtividade”.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que a transição para uma jornada reduzida pode ser absorvida sem grandes impactos na maior parte da economia brasileira. O levantamento, contudo, alerta para desafios específicos nos pequenos negócios, sobretudo empresas com até quatro empregados e aquelas que mantêm entre cinco e nove trabalhadores, que podem enfrentar maior dificuldade na reorganização das escalas e possível elevação de custos.
Para mitigar esses riscos, o governo federal e o Congresso discutem a criação de uma política de transição que considere as particularidades de cada setor produtivo. Entre as alternativas debatidas estão incentivos fiscais, linhas de crédito facilitadas, programas de capacitação e consultoria voltados à reestruturação organizacional e à adoção de novas tecnologias. Até o momento, a proposta em discussão prevê que micro, pequenas e médias empresas tenham acesso a uma redução gradual da jornada, uma vez que parte das grandes companhias já opera com cinco dias de trabalho e dois de descanso.
Na avaliação de Décio Lima, o foco deve ir além da compensação de horas. “Em vez de focar na simples compensação de horas, as empresas devem ser estimuladas a investir em tecnologias e métodos de trabalho que aumentem a produtividade. Isso pode tornar a operação mais eficiente e viável com menos horas de trabalho, transformando o desafio em uma oportunidade de inovação, um conceito que não tem mais volta”, aponta.
A proposta também encontra respaldo popular. Pesquisa realizada pelo Instituto Nexus indica que 73% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6x1, desde que a mudança não implique redução salarial, demonstrando que o debate extrapola o ambiente empresarial e mobiliza amplos setores da sociedade