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Empreendedores avaliam impacto do fim da escala 6x1

Pesquisa do Sebrae mostra que 51% dos donos de pequenos negócios não preveem efeitos da mudança na jornada, enquanto cresce a percepção positiva

Manifestação pelo fim da escala de trabalho 6x1 (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

247 - Mais da metade dos donos de micro e pequenas empresas e dos microempreendedores individuais (MEI) acredita que o fim da escala de trabalho 6x1 não deve provocar impactos em seus negócios. Os dados fazem parte da 12ª edição da Pesquisa Pulso dos Pequenos Negócios, divulgada pela Agência Sebrae de Notícias (ASN), que acompanha a percepção dos empreendedores em relação a temas econômicos e trabalhistas no país.

Segundo o levantamento do Sebrae, 51% dos entrevistados afirmaram que a possível mudança na jornada de trabalho não afetará suas atividades — um avanço em relação aos 47% registrados na edição anterior, realizada em 2024. Ao mesmo tempo, houve queda na parcela dos que enxergam efeitos negativos, passando de 32% para 27% no período analisado.

A pesquisa também aponta um leve crescimento entre os que veem a medida como positiva: o índice subiu de 9% para 11%. No total, 87% dos empreendedores disseram estar informados sobre a proposta de alteração da escala de trabalho, o que demonstra o alto nível de atenção ao tema no universo dos pequenos negócios.

Entre os setores mais otimistas, a Economia Criativa lidera com 24% dos entrevistados apontando impactos positivos. Em seguida aparecem os segmentos de Logística e Transporte, com 17%, e a Indústria Alimentícia, com 16%, indicando que algumas áreas podem se beneficiar mais diretamente de eventuais mudanças na jornada.

Para o presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, o levantamento funciona como um importante indicador do ambiente empresarial. “A Pulso funciona como um termômetro do ambiente dos pequenos negócios no país. Ela já está em sua 12ª edição e nos ajuda a atuar com políticas de apoio aos microempreendedores individuais e micro e pequenas empresas. Os nossos esforços agora são no sentido de apoiar essas empresas para as mudanças na prática”, afirma.

Ele também ressalta a importância do diálogo na condução de possíveis alterações nas regras trabalhistas. “Além disso, as alterações na jornada devem ser feitas com diálogo, a partir de uma negociação com amplos setores da sociedade, garantindo segurança jurídica e sustentabilidade para empresas e trabalhadores. O empreendedorismo é o caminho de gerar renda e cidadania”, acrescenta.

Diante desse cenário, o Sebrae informa que pretende intensificar o suporte aos pequenos negócios, com foco em produtividade, competitividade e inovação. A estratégia inclui o uso de soluções de inteligência artificial e ferramentas de gestão para ajudar empresários a se adaptarem às novas condições do mercado.

O debate sobre o fim da escala 6x1 tem ganhado força no Brasil e envolve diretamente os pequenos negócios, que respondem por cerca de 80% do saldo de empregos gerados no país desde 2023. O tema também está em discussão no Congresso Nacional, por meio de propostas que tratam da reorganização da jornada de trabalho.

A pesquisa foi realizada entre 19 de fevereiro e 18 de março de 2026, por meio de formulário on-line, com a participação de 8.273 empreendedores em todos os estados e no Distrito Federal. Do total de respondentes, 53% são microempreendedores individuais, 40% pertencem a microempresas e 7% são empresas de pequeno porte.