Empreendedorismo digital de baixo custo avança no Brasil
Modelo de negócio online sem estoque e com baixo investimento atrai brasileiros em busca de renda extra e transição de carreira
247 - O empreendedorismo digital de baixo custo vem crescendo rapidamente no Brasil, impulsionado pelo avanço dos smartphones, pela popularização do Pix e pela expansão dos marketplaces. A possibilidade de iniciar um negócio online sem estoque, loja física ou conhecimento técnico avançado tem ampliado o acesso ao comércio eletrônico e atraído novos perfis de empreendedores em busca de renda extra ou mudança profissional.
As informações foram divulgadas originalmente pelo portal Estado de Minas, com base em dados de consultorias internacionais e entrevistas com especialistas da Dogama, empresa que atua com soluções para operações de dropshipping no Brasil.
Segundo levantamento da consultoria Mordor Intelligence, o mercado global de dropshipping — modelo logístico em que o vendedor comercializa produtos sem manter estoque próprio — poderá movimentar US$ 507,18 bilhões em 2026. A expectativa é que esse volume alcance US$ 1,35 trilhão até 2031.
No Brasil, o setor também apresenta forte potencial de crescimento. Dados da Grand View Research apontam que o país respondeu por 1,8% do mercado global de dropshipping em 2023. A projeção é de que o Brasil lidere o segmento na América Latina até 2030, alcançando faturamento estimado em US$ 19,4 bilhões.
Para Douglas H. de Souza, CEO da Dogama, a evolução dos celulares teve papel decisivo na democratização do comércio eletrônico no país.
“Os celulares atuais uniram três coisas que antes eram barreira neste mercado: vitrine, meio de pagamento e canal de atendimento, tudo na palma da mão. Com Pix e marketplaces com audiência pronta, hoje qualquer pessoa consegue começar a vender sem loja física nem capital inicial alto”, afirmou.
Apesar da simplicidade aparente para quem vende, a operação por trás do modelo exige estruturas tecnológicas complexas. Pedro A. Pagan, líder técnico de produto da Dogama, explica que processos como integração com APIs de marketplaces, sincronização de estoque em tempo real, automação de envios, devoluções e pagamentos fazem parte da engrenagem do sistema.
“O papel das plataformas é tirar essa complexidade do dia a dia do vendedor e facilitar os processos”, destacou Pagan.
Busca por renda extra impulsiona modelo
O modelo de empreendedorismo digital tem atraído principalmente pessoas interessadas em complementar a renda mensal. Embora seja possível atuar utilizando apenas o CPF, especialistas alertam que existem limitações de faturamento anual, o que pode dificultar a expansão do negócio no futuro.
A formalização por meio de um CNPJ, segundo o mercado, tende a se tornar necessária para empreendedores que desejam ampliar as operações, emitir notas fiscais e acessar linhas de crédito.
Ainda assim, Douglas Souza avalia que o principal atrativo do modelo está no baixo risco financeiro e na possibilidade de aprendizado rápido.
“A pessoa testa nichos, entende o que funciona e só escala o que deu certo, sem comprometer reserva financeira nem assumir dívida”, disse.
O executivo afirma ainda que muitos vendedores começam no comércio digital como atividade complementar antes de transformar a operação em principal fonte de renda.
“Com o tempo, parte desses vendedores valida o modelo e acaba migrando para a fonte principal. É uma jornada natural, não uma decisão de largar tudo no primeiro dia”, ressaltou.
Fornecedores nacionais ganham espaço
Dentro desse cenário, empresas do setor têm apostado em fornecedores nacionais para reduzir prazos de entrega e evitar custos relacionados à importação de produtos.
Segundo Souza, o funcionamento das plataformas também facilita a entrada de novos vendedores, já que não há necessidade de compra antecipada de mercadorias.
“O vendedor não precisa comprar o produto antecipadamente, já que o fluxo é centralizado na plataforma e o revendedor só paga depois de vender”, explicou.
Pagan acrescenta que a integração das ferramentas em um único ambiente simplifica a gestão das vendas online.
“No mesmo ambiente, ele encontra o catálogo e todo o gerenciamento das vendas, sem precisar juntar várias ferramentas”, afirmou.
Inteligência artificial e redes sociais devem acelerar setor
Especialistas apontam que os próximos anos devem ser marcados por maior integração entre tecnologia, automação e experiência do usuário. Ferramentas de inteligência artificial e plataformas de social commerce, como TikTok e Instagram, tendem a ganhar protagonismo nas vendas digitais.
“IA assumindo tarefas repetitivas e social commerce (TikTok, Instagram) devem pesar cada vez mais no dia a dia do vendedor”, avaliou Pagan.
Já Souza acredita em uma profissionalização crescente do setor e no fortalecimento da cadeia nacional de fornecedores.
“Vejo um movimento de valorização dos fornecedores nacionais, além de uma profissionalização gradual de quem vende online”, concluiu Souza.
