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Empreendedorismo estruturado ganha força no início de 2026

Com crescimento consistente do franchising e destaque para serviços essenciais, modelos organizados atraem profissionais em busca de previsibilidade

Empreendedorismo estruturado ganha força no início de 2026 (Foto: Freepik/Dmytro Sheremeta)

247 - O começo do ano tradicionalmente concentra movimentos de reflexão e mudança na vida profissional dos brasileiros. Em 2026, esse processo ocorre em um cenário econômico mais cauteloso, mas que segue apresentando sinais claros de resiliência, especialmente em áreas ligadas a serviços essenciais. Nesse ambiente, o empreendedorismo estruturado surge como uma alternativa cada vez mais considerada por quem busca previsibilidade, organização e maior domínio sobre os rumos da própria carreira.

Indicadores recentes do franchising ajudam a dimensionar esse contexto. Dados da Pesquisa de Desempenho do Franchising, do terceiro trimestre de 2025, divulgada pela Associação Brasileira de Franchising (ABF), mostram que o setor faturou R$ 76,6 bilhões no período, um crescimento de 9,1% em relação ao mesmo trimestre de 2024. No acumulado dos últimos 12 meses, a receita atingiu R$ 293,5 bilhões, com avanço de 10,8%, mantendo uma trajetória consistente de expansão.

O levantamento da ABF também evidencia a capilaridade do franchising no país. Atualmente, o setor reúne mais de 200 mil operações em funcionamento e emprega cerca de 1,75 milhão de pessoas diretamente, reforçando sua relevância como motor de negócios e geração de renda no Brasil.

Entre os segmentos analisados, Limpeza e Conservação figura entre os destaques de desempenho. No terceiro trimestre de 2025, o faturamento do segmento cresceu 14,5% na comparação anual, uma das maiores variações do período. Já no acumulado de 12 meses, a alta foi de 14,4%. Esse avanço é associado a fatores como a redução do espaço médio das residências, a maior terceirização de tarefas domésticas e mudanças estruturais na dinâmica do mercado de trabalho.

Para José Roberto Campanelli, diretor da Mary Help, esse conjunto de dados ajuda a explicar por que o início do ano costuma registrar um aumento significativo no interesse por modelos de negócios já consolidados. “Quando o setor apresenta crescimento consistente e dados claros de desempenho, o empreendedor passa a tomar decisões com base em previsibilidade. Isso muda a relação com o risco e transforma o ato de empreender em um movimento mais racional e planejado”, afirma.

Na avaliação de Campanelli, a evolução do franchising brasileiro tem papel central nesse processo. “Empreender hoje não é apenas abrir um negócio, mas escolher um sistema que permita organização, leitura de demanda e capacidade de adaptação. Modelos estruturados encurtam o caminho até a estabilidade operacional”, diz.

Inserida nesse cenário, a Mary Help atua com um modelo de intermediação de serviços domésticos baseado em operação enxuta e gestão local. A rede conta atualmente com cerca de 180 unidades em operação em todo o país, realiza aproximadamente 700 mil diárias por ano e mantém uma base superior a 9 mil profissionais cadastrados.

Segundo Campanelli, o desempenho do segmento reflete mudanças mais profundas no comportamento das famílias brasileiras. “O serviço doméstico deixou de ser pontual e passou a integrar a rotina. Isso cria uma demanda recorrente, menos sensível a ciclos econômicos, o que favorece a sustentabilidade do negócio no médio e longo prazo”, afirma.