Empreendedorismo feminino cresce 27% e bate recorde no Brasil
Número de mulheres à frente de negócios chega a 10,4 milhões em 2025, com renda média recorde e maior acesso à formalização e crédito
247 - O empreendedorismo feminino no Brasil avançou de forma consistente na última década e atingiu, em 2025, o maior patamar já registrado. Dados de um levantamento do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), mostram que o número de mulheres à frente de negócios cresceu 27% no período.
O estudo do Sebrae aponta que esse avanço foi significativamente superior ao observado entre os homens empreendedores, cujo crescimento foi de cerca de 11% na mesma década — uma diferença de 16 pontos percentuais. Em números absolutos, o país saiu de 8,2 milhões de donas de negócio em 2015 para 10,4 milhões em dezembro de 2025, recorde da série histórica. No mesmo período, o total de homens empreendedores chegou a 19,9 milhões.
Além da expansão quantitativa, o perfil das empreendedoras brasileiras também passou por mudanças relevantes, especialmente no nível de escolaridade. Entre 2012 e 2025, houve um aumento de 18,6 pontos percentuais na proporção de mulheres com ensino superior incompleto ou mais, acompanhado de uma redução de 17,3 pontos percentuais na faixa com ensino fundamental incompleto. Como resultado, atualmente há 13 pontos percentuais a mais de mulheres com ensino superior ou mais em comparação aos homens donos de negócios.
Os dados também indicam uma redução gradual na desigualdade de rendimentos entre homens e mulheres empreendedores. Apesar de as mulheres ainda receberem, em média, 24% menos que os homens, a diferença caiu 9,5 pontos percentuais no período analisado. Em dezembro de 2025, o rendimento médio das donas de negócio alcançou R$ 2.929,94 — o maior já registrado pela pesquisa — enquanto os homens tiveram média de R$ 3.864,12.
A diretora de Administração e Finanças do Sebrae Nacional, Margarete Coelho, ressalta o papel estratégico das políticas públicas voltadas ao público feminino. “As mulheres já são um pilar essencial para o desenvolvimento econômico e social. E, pelo empreendedorismo, podem conquistar ainda mais”, afirma.
Ela também destaca iniciativas específicas da instituição para ampliar o acesso ao crédito. “O Sebrae tem atuado de maneira estratégica e abrangente para apoiar mulheres empreendedoras. Com garantia do Fampe, voltado exclusivamente para negócios liderados por mulheres, empreendedoras acessaram R$ 734 milhões em crédito em 2025”, diz.
Outro aspecto relevante apontado pelo levantamento é o avanço na formalização e na proteção social. As mulheres empreendedoras apresentam maior participação na contribuição para a Previdência Social, com índice de 43%, contra 39% entre os homens. Além disso, 37% das donas de negócio possuem CNPJ, percentual quase quatro pontos percentuais superior ao registrado entre empreendedores do sexo masculino.
O recorte etário também evidencia o protagonismo feminino em fases mais produtivas da vida. Mais da metade das empreendedoras brasileiras — 51,3% — está na faixa de 30 a 49 anos, enquanto entre os homens esse grupo representa cerca de 48%.
Apesar dos avanços, a pesquisa evidencia desafios persistentes. Embora representem 51,8% da população em idade ativa, as mulheres correspondem a apenas 34,3% dos donos de negócios no país. Essa desigualdade também aparece na taxa de empreendedorismo: entre as mulheres, o índice é de 11,5%, menos da metade dos 23,6% observados entre os homens.
O cenário revela, portanto, um movimento de crescimento consistente e transformação estrutural no empreendedorismo feminino, ainda marcado por disparidades, mas com sinais claros de avanço em renda, qualificação e acesso a oportunidades.