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Feira em BH fortalece renda e protagonismo feminino

Iniciativa em coqueiros reúne mais de 200 pessoas, movimenta cerca de R$ 50 mil por mês e incentiva empreendedorismo feminino

Feira em BH fortalece renda e protagonismo feminino (Foto: Divulgação)

247 - O Centro de Vivência Agroecológica (Cevae) do bairro de Coqueiros, na região noroeste de Belo Horizonte (MG), ganhou nova dinâmica e passou a ser um espaço de convivência, integração e geração de renda. Antes subutilizado, o local se transforma, todo segundo domingo do mês, em ponto de encontro da comunidade com a realização da Feira das Famílias Empreendedoras de Coqueiros, iniciativa liderada pela empreendedora Carmem Lúcia Barcelos. As informações foram divulgadas pelo Sebrae.

Atualmente, a feira reúne mais de 200 moradores da região, que comercializam produtos como artesanato, alimentos e bebidas, além de promover apresentações de músicos e talentos locais, reforçando o caráter cultural e comunitário do evento.

A idealizadora do projeto relembra que a iniciativa teve origem em uma ação voltada ao acolhimento de mulheres em situação de vulnerabilidade. “Tudo começou com a criação de um grupo para tirar mulheres de situação de vulnerabilidade, e até mesmo superar problemas de saúde mental, por meio do artesanato e da gastronomia. Com o passar do tempo, surgiu a ideia de criar a feira de empreendedorismo para a comunidade”, afirma Carmem Lúcia, que destaca ter se descoberto empreendedora com apoio do Sebrae.

Aos 65 anos, ela segue ativa na produção de artesanato e também na culinária, preparando feijão tropeiro para comercializar durante os eventos. Segundo a empreendedora, o impacto econômico da feira é significativo para os participantes. “Promovemos a economia circular, gerando renda e trabalho dentro da nossa comunidade. Por mês, a feira movimenta em torno de R$ 50 mil para as famílias participantes, sendo a maioria representada por mulheres.”

Além de gerar renda direta, a iniciativa também fortalece o comércio local por meio de parcerias e ações de divulgação. Para a gerente de Empreendedorismo Feminino, Diversidade e Inclusão do Sebrae Nacional, Georgia Nunes, experiências como essa vão além do aspecto econômico e contribuem para o fortalecimento social das comunidades.

“Quando uma mulher empreende na periferia, ela quase sempre gera um impacto que vai além da renda da própria família. Muitas vezes, ela compra de fornecedores do próprio bairro, contrata vizinhas, movimenta serviços locais e cria uma rede de apoio que fortalece toda a comunidade”, avalia.

Georgia também ressalta que é comum mulheres iniciarem negócios em áreas como alimentação, beleza, moda e serviços, tornando-se referências em seus territórios. “Essas empreendedoras abrem caminhos para outras mulheres também acreditarem que é possível crescer”, complementa.

A especialista enfatiza ainda que a capacitação é um fator determinante para a sustentabilidade dos negócios. “Capacitação faz toda diferença, porque muitas mulheres já sabem produzir, vender e atender bem, mas precisam de apoio para organizar preço, fluxo de caixa, divulgação e planejamento. A mentoria entra justamente para transformar talento em negócio sustentável”, afirma.

Nesse contexto, programas como o Sebrae Delas têm papel estratégico ao oferecer suporte em diferentes etapas do empreendedorismo feminino, incluindo educação financeira e acesso ao crédito. A gerente cita iniciativas como a Caravana Sebrae Delas e o Fampe 100% Mulher, voltadas à ampliação de oportunidades.

“Temos iniciativas como a Caravana Sebrae Delas que já percorreu dezenas de estado do país e o Fampe 100% Mulher que já viabilizou mais de R$ 700 milhões em crédito assistido para mulheres empreendedoras, facilitando o acesso ao financiamento mesmo para quem muitas vezes não teria garantias tradicionais”, esclarece Georgia Nunes.