Filme O Agente Secreto movimenta turismo e comércio no Recife
Produção de Kleber Mendonça Filho inspira roteiros turísticos, atrai visitantes ao centro e aumenta movimento em negócios locais
247 - O filme O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura, tem colocado Pernambuco em evidência na mídia internacional. Indicado em quatro categorias ao Oscar, incluindo Melhor Filme, o thriller político já levou 2,35 milhões de espectadores aos cinemas brasileiros e começa a produzir efeitos também fora das telas, impulsionando o turismo e o comércio no centro do Recife.
Reportagem do Sebrae aponta que a repercussão da produção abriu novas oportunidades para pequenos negócios locais. Entre eles está a La Ursa Tours, empresa criada em 2017 e dedicada a roteiros de mobilidade ativa pela cidade, com passeios a pé ou de bicicleta que exploram pontos históricos da capital pernambucana.
A inspiração para um novo roteiro turístico surgiu após a estreia do filme no Recife, em novembro do ano passado. Ao reconhecer vários cenários da cidade durante a sessão, o fundador da agência, Roderick Jordão, percebeu o potencial de transformar aquelas locações em uma experiência turística. “Enquanto assistíamos ao filme, já era fácil identificar várias locações. Quando saímos da sessão, percebemos que já tínhamos praticamente um roteiro pronto na cabeça”, afirma.
O passeio, com cerca de três horas de duração, percorre locais que aparecem no filme, como o Parque Treze de Maio, o Ginásio Pernambucano, o Chá-Mate Brasília e o Cinema São Luiz. Inicialmente com 20 vagas, a caminhada passou a receber 30 participantes por edição e contribuiu para elevar em cerca de 20% a procura por outras atividades da empresa.
Segundo Roderick Jordão, o perfil do público também mudou com a projeção internacional do longa, que venceu o prêmio de Melhor Filme em Língua Não Inglesa no Golden Globe Awards. “No começo do passeio, cerca de 90% das pessoas que faziam a caminhada eram recifenses. Depois do Globo de Ouro, começamos a receber muito mais visitantes de fora. Hoje o público está mais equilibrado: cerca de 50% de visitantes e 50% de moradores do Recife”, relata.
O impacto também chegou ao Chá-Mate Brasília, lanchonete tradicional do centro fundada em 1984 por Manoel Pinheiro e hoje administrada pelos filhos Paulo Pinheiro e José Suevânio. O estabelecimento aparece em uma sequência de perseguição na parte final do filme, e o empresário acompanhou de perto o processo de gravação. “Foi uma experiência intensa e muito interessante. A equipe passou várias horas gravando para garantir que cada detalhe da cena saísse exatamente como planejado”, conta.
Após a repercussão internacional da produção, o local passou a registrar aumento no fluxo de clientes e nas vendas. “Após a indicação ao Globo de Ouro percebemos uma mudança positiva, com aumento no fluxo de clientes. Estimamos um crescimento de cerca de 30% no movimento, especialmente aos sábados, quando começaram a surgir passeios que visitam as locações do filme no centro”, afirma Paulo Pinheiro.
O comércio também se beneficiou da curiosidade despertada pelo filme. Segundo o empresário, o aumento de visitantes trouxe reflexos nas vendas, que cresceram entre 25% e 30%, além da presença de turistas interessados em conhecer um dos cenários da produção. “Recebemos visitantes motivados pela curiosidade. Chegaram até turistas argentinos que pesquisaram as locações do filme e vieram conhecer a lanchonete”, relata.
Para o especialista em Economia Criativa do Sebrae Pernambuco, Eduardo Maciel, o sucesso de produções culturais pode gerar efeitos positivos para diversos setores da economia. “Temos em mãos um produto cultural de altíssima qualidade, com enorme potencial de gerar novos desdobramentos e movimentar diferentes setores da economia pernambucana. O cinema é criatividade, identidade e bons negócios”, afirma.