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Ginseng de Querência do Norte conquista IG e amplia exportações

Produto paranaense obtém reconhecimento inédito do INPI, fortalece comunidades tradicionais e abre novas oportunidades no mercado internacional

Ginseng de Querência do Norte conquista IG e amplia exportações (Foto: Reprodução/Sebrae-PR)

247 - O ginseng produzido em Querência do Norte, no noroeste do Paraná, conquistou o registro de Indicação Geográfica (IG) na modalidade Denominação de Origem, concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A informação foi divulgada pela Agência Sebrae de Notícias (ASN), que destacou o papel do Sebrae no processo de reconhecimento do produto.

Com o selo, o ginseng da região se torna o primeiro do Brasil a obter esse tipo de certificação, além de ser o 25º produto paranaense a alcançar o reconhecimento. A IG atesta a relação direta entre a qualidade do produto, o território de origem e o saber-fazer das comunidades locais, ampliando sua competitividade no mercado.

Segundo o presidente da Associação de Pequenos Agricultores de Ginseng de Querência do Norte (Aspag), Misael Jefferson Nobre, o apoio institucional foi decisivo para a conquista. “Sem o Sebrae, talvez fosse impossível alcançar esse reconhecimento. Tivemos apoio técnico, articulação e incentivo desde o início do processo”, afirma.

Reconhecimento fortalece presença internacional

A certificação atende a uma demanda antiga do mercado externo, que já reconhecia a qualidade do ginseng produzido na região. “Já exportamos para países como China, França e Japão, e muitos clientes pediam um reconhecimento diferenciado. Agora, com a Indicação Geográfica, teremos mais visibilidade e novas oportunidades de negócios”, declara Misael Jefferson Nobre.

De acordo com o dirigente, o produto paranaense apresenta características semelhantes ao ginseng asiático, com padrão de qualidade já validado por compradores internacionais. Esse diferencial tende a consolidar a presença brasileira em mercados mais exigentes.

Para a coordenadora de Tecnologias Portadoras de Futuro do Sebrae, Hulda Giesbrecht, o reconhecimento vai além do aspecto comercial. “A IG agrega valor ao produto, protege a identidade territorial e amplia o acesso a mercados mais exigentes, especialmente no cenário internacional”, enfatiza.

Produção envolve comunidades tradicionais

A cadeia produtiva do ginseng em Querência do Norte está diretamente ligada às comunidades tradicionais conhecidas como ilhéus do Rio Paraná, que vivem em ilhas fluviais da região. O cultivo integra práticas tradicionais e conhecimento acumulado ao longo de gerações.

A Associação de Pequenos Agricultores de Ginseng de Querência do Norte reúne produtores de assentamentos da reforma agrária e dessas comunidades, estruturando uma produção baseada no cultivo orgânico e na organização coletiva.

Esse modelo produtivo reforça o vínculo entre território, cultura e sustentabilidade, elementos centrais para a obtenção da Indicação Geográfica e para a valorização do produto no mercado.

Mercado interno ainda é desafio

Apesar do avanço nas exportações, os produtores apontam que o consumo de ginseng no Brasil ainda é limitado. Segundo a associação, o mercado nacional é marcado pela presença de produtos mistos e de qualidade inferior.

Com a certificação, a estratégia é ampliar a presença também no país, oferecendo um produto diferenciado ao consumidor. “Nosso objetivo é oferecer ao consumidor brasileiro um ginseng puro, orgânico e de alto padrão, ao mesmo tempo em que expandimos nossa presença global”, conclui Misael Jefferson Nobre.

A expectativa do setor é que a IG funcione como um selo de confiança, impulsionando tanto a valorização do produto quanto o desenvolvimento econômico das comunidades envolvidas na produção.