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IA deve impulsionar empreendedorismo e reduzir empregos, diz futurista

Especialista afirma que avanço da inteligência artificial cria oportunidades para novos negócios, mas exige adaptação gradual das empresas e trabalhadores

IA deve impulsionar empreendedorismo e reduzir empregos, diz futurista (Foto: Dragos Condrea/Freepik)

247 - O avanço da inteligência artificial (IA) deve inaugurar uma nova fase de oportunidades para empreendedores, ao mesmo tempo em que tende a reduzir postos de trabalho em diversas áreas. A avaliação é do futurista Neil Redding, especialista em tecnologias emergentes, em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo.

Segundo Redding, a tecnologia permitirá acelerar a criação de negócios com menos recursos e equipes menores. “Será uma era de ouro para o empreendedorismo, mas acredito que muitas pessoas perderão seus empregos. É papel da sociedade e da cultura ajudar a tornar essa transição o mais tranquila possível, fornecendo redes de segurança econômica ou mecanismos de apoio econômico para os empreendedores”, afirma.

Apesar das preocupações com o impacto no mercado de trabalho, ele pondera que a transformação será gradual. Para o especialista, as empresas ainda enfrentam desafios estruturais para incorporar plenamente a IA, o que deve retardar demissões em massa no curto prazo.

Um dos principais vetores dessa mudança são os chamados agentes de IA — sistemas capazes de executar tarefas complexas a partir de comandos simples. Redding prevê que, já em 2026, profissionais passarão a delegar atividades a esses agentes da mesma forma que hoje fazem com subordinados humanos, ampliando sua presença no ambiente corporativo.

Na avaliação do futurista, essa evolução favorece especialmente pequenos negócios e empreendedores individuais. “Agora uma única pessoa pode fazer isso com uma pequena equipe de agentes de IA por um custo razoável. Isso é um enorme benefício para qualquer pessoa, até mesmo para uma única pessoa que tenha uma ideia do que quer criar”, diz.

Ele também ressalta que nem todas as demissões atribuídas à IA refletem, de fato, a substituição direta de trabalhadores pela tecnologia. “Muita gente está usando a IA como desculpa”, afirma, ao comentar casos recentes de cortes em grandes empresas. Ainda assim, reconhece que organizações já conseguem operar com equipes menores graças ao uso mais eficiente da tecnologia.

Para Redding, extrair valor da IA exige mudanças profundas na estrutura das empresas. “Para obter o máximo valor da IA e dos agentes de IA, é preciso redesenhar a organização e o trabalho em torno da IA, assim como se faz com qualquer nova ferramenta revolucionária”, explica.

No campo da gestão, o especialista defende que líderes de recursos humanos e tecnologia terão papel central na adaptação. A tendência, segundo ele, é que decisões passem a ser cada vez mais colaborativas entre humanos e sistemas inteligentes, com supervisão constante.

Ao avaliar métricas de sucesso, Redding afirma que focar apenas em eficiência é insuficiente. “Mas o verdadeiro benefício da IA e dos agentes de IA é a exploração”, diz, destacando que a capacidade de criar novos produtos e serviços será o principal diferencial competitivo.

Por fim, ele projeta uma mudança significativa no funcionamento das empresas ainda neste ano, com a delegação inicial de tarefas sendo direcionada à IA. “A primeira coisa a fazer agora é delegar isso a um agente e ter um humano supervisionando o processo. Com isso, os humanos estão passando de executores a tomadores de decisão”, conclui.