Indicações geográficas fortalecem economia e valorizam territórios no Brasil
Número de registros mais que dobra em cinco anos, impulsiona pequenos produtores e consolida produtos ligados à origem, tradição e identidade regional
247 - Produtos associados ao território, à história de quem produz e à identidade regional ganham espaço no Brasil. Nos últimos cinco anos, o número de Indicações Geográficas (IGs) mais que dobrou, evidenciando um movimento que articula tradição, inovação e desenvolvimento econômico local. Em 2020, o país contava com 73 registros concedidos pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
Dados do Sebrae, fonte original das informações, mostram que em 2025 o Brasil alcançou 150 Indicações Geográficas, concentradas sobretudo nas regiões Sudeste e Sul. Em janeiro de 2026, o total subiu para 151 IGs, com a certificação das tortas de Carambeí, no Paraná. Desde 2003, quando havia apenas um registro no país, o Sebrae atua para ampliar o acesso de pequenos negócios ao reconhecimento oficial.
Somente em 2025, a instituição realizou 95 diagnósticos territoriais e identificou 69 regiões com potencial para obtenção de IG. A coordenadora de Tecnologias Portadoras de Futuro do Sebrae Nacional, Hulda Giesbrecht, projeta crescimento estável de cerca de 20% ao ano, ressaltando que o processo de estruturação de uma IG exige tempo e organização.
“A estruturação de uma IG demanda um tempo considerável, de pelo menos 18 meses, sem contar o tempo de análise no INPI, que atualmente é de aproximadamente 12 meses”, afirma Hulda. Segundo ela, esse período é essencial para mobilizar produtores, construir governança, reunir evidências e preparar o território para acessar novos mercados.
Entre os exemplos consolidados está o mel de melato de Bracatinga, reconhecido como Denominação de Origem em 2021. Produzido no Planalto Sul brasileiro, em 134 municípios de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, o produto é conhecido como “ouro negro” pelo alto valor nutricional e qualidade diferenciada.
De acordo com a gestora da IG, Carolina Maciel da Costa, cerca de 80% da produção é exportada, principalmente para Alemanha e Estados Unidos, envolvendo 10 empresas e 43 pequenos apicultores. “O Sebrae continua firme e forte conosco como nosso parceiro. É mais difícil levar o nosso produto para outras regiões, mesmo assim já conseguimos chegar em alguns estados do Nordeste, Espírito Santo e Amapá”, relata.
O café lidera em número de Indicações Geográficas no país, com 20 registros entre os 151 existentes, a maioria na categoria Indicação de Procedência e concentrada em Minas Gerais e São Paulo. Um exemplo é o café do Sudoeste de Minas, produzido pela família Frutuoso desde a década de 1930 e certificado há cerca de um ano e meio.
O produtor Edivaldo de Oliveira destaca que a rastreabilidade e a qualidade do produto abriram novas oportunidades. “Dentro da IG tem produtores que já exportam e outros que vendem mais internamente. No nosso caso, conseguimos uma exportação indireta para o Canadá, após sermos finalista do concurso da Semana Internacional do Café”, afirma.
Além do café, o artesanato também se destaca, com 18 Indicações Geográficas no país, sendo 12 no Nordeste. O avanço das IGs reforça a certificação como instrumento de valorização cultural, fortalecimento econômico regional e ampliação da competitividade de pequenos produtores no mercado nacional e internacional.