INPI reconhece café da Serra de Apucarana como indicação geográfica
Registro como denominação de origem destaca qualidade do café produzido em Apucarana, Arapongas e Cambira e eleva para 152 o número de IGs brasileiras
247 - O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu, nesta terça-feira (27), o registro de Indicação Geográfica (IG) ao café da Serra de Apucarana, no Paraná, reconhecendo oficialmente a singularidade do produto. Com a decisão, o Brasil passa a somar 152 IGs nacionais registradas, sendo a cafeicultura o segmento com maior número de certificações no país, agora com 21 selos.
As informações foram divulgadas pelo INPI e pelo Sebrae, que acompanha e apoia o processo de reconhecimento de indicações geográficas em diversas regiões do país. O novo registro chega em um momento simbólico para Apucarana, que celebra 82 anos de emancipação política nesta quarta-feira (28), e marca o segundo reconhecimento conquistado pelo Paraná apenas neste mês — o primeiro foi o das tortas de Carambeí, anunciado no último dia 21.
O reconhecimento concedido ao café da Serra de Apucarana é na modalidade Denominação de Origem (DO), a mais rigorosa entre as espécies de IG. O INPI atestou que existe relação direta entre o meio geográfico da região — que abrange os municípios de Apucarana, Arapongas e Cambira — e as características sensoriais do café ali produzido. A bebida apresenta sabor frutado, com notas de frutas amarelas e vermelhas, além de nuances de melaço e uma acidez típica e equilibrada.
O Sebrae teve atuação em diversas etapas do processo, oferecendo suporte técnico e organizacional aos produtores locais. Na cafeicultura, a instituição atende cerca de 8,5 mil produtores em 44 territórios produtores no país, com ações voltadas à capacitação, à adoção de práticas sustentáveis e ao fortalecimento da governança. “Os produtores serão protagonistas de uma nova etapa de desenvolvimento local, com base nos diferenciais da bebida. O sistema de Indicações Geográficas promove os produtos e sua herança histórico-cultural, que é intransferível”, afirma Hulda Giesbrecht, coordenadora de Tecnologias Portadoras de Futuro do Sebrae Nacional.
A concessão da DO Serra de Apucarana foi possível após a comprovação técnica e científica de que as qualidades do café não podem ser reproduzidas em outro local. Entre os fatores naturais determinantes estão o relevo e a altitude da região, que ultrapassa 700 metros e pode chegar a até 2.000 metros acima do nível do mar, condição ideal para o cultivo da espécie Coffea arabica. Essa característica contribui para uma maturação mais lenta dos grãos, elevando a qualidade final da bebida.
O clima também exerce papel fundamental. A região apresenta chuvas bem distribuídas ao longo do ano, baixa incidência de déficit hídrico e temperatura média anual de 20,6 °C, dentro da faixa considerada ideal para o desenvolvimento do cafeeiro, entre 19 °C e 21 °C. A certificação leva em conta ainda o saber-fazer dos produtores, que combinam técnicas modernas com conhecimentos tradicionais, especialmente nos processos de colheita e na torra, realizada exclusivamente em ponto médio.
Apucarana é atualmente o quinto maior produtor de café do Paraná, com cerca de 1.200 hectares cultivados e produção anual de 2.376 toneladas. O selo “Café da Serra de Apucarana” beneficiará diretamente 250 produtores do município, além de 50 propriedades em Cambira e uma em Arapongas, fortalecendo a economia regional e agregando valor ao produto no mercado.
Com esse reconhecimento, o Paraná alcança a marca de 24 Indicações Geográficas, sendo três delas na modalidade Denominação de Origem: o mel de Ortigueira, o café de Mandaguari e, agora, o café da Serra de Apucarana. As demais certificações do estado foram concedidas como Indicação de Procedência, reforçando a diversidade e a identidade dos produtos paranaenses no cenário nacional.