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“Livrarias de rua fortalecem vínculos comunitários”, diz fundador da Livraria Mantiqueira

Ao expandir para São José dos Campos, projeto aposta na leitura, no encontro e na cultura como modelo de negócio sustentável

Jornalista e empreendedor cultural Roberto Guimarães, fundador da livraria e idealizador da Festa Literária da Mantiqueira (FLIMA) (Foto: Divulgação | Freepik )

Beatriz Bevilaqua, 247 - A Livraria Mantiqueira acaba de inaugurar sua segunda unidade, em São José dos Campos (SP), ampliando um projeto que nasceu na Serra da Mantiqueira e se consolidou como referência em livraria de rua, curadoria literária e formação de leitores. Para o jornalista e empreendedor cultural Roberto Guimarães, fundador da livraria e idealizador da Festa Literária da Mantiqueira (FLIMA), esses espaços vão muito além da venda de livros: são pontos de encontro capazes de fortalecer vínculos comunitários e reaproximar as pessoas da cultura.

Em entrevista ao “Empreender Brasil”, na TV 247, Guimarães relembra sua trajetória no jornalismo, na edição de livros e na curadoria cultural até a criação da FLIMA, em 2018, em Santo Antônio do Pinhal, cidade que, à época, sequer contava com uma livraria. “A livraria surgiu como uma consequência natural do festival. A cidade precisava de um espaço permanente para o livro, para o encontro”, afirma.

Segundo ele, o modelo das livrarias de rua vive um momento de retomada no Brasil e no mundo. Reportagens internacionais já apontam esses espaços como “os novos bares”: locais de convivência, com programação cultural, café, debates e tempo para estar. “A venda do livro é consequência da experiência. Primeiro vem o encontro, a troca, a criação de vínculos”, explica.

Guimarães destaca que a curadoria é o coração de uma livraria independente. “Não é apenas um lugar que vende livros. É um espaço que escolhe, que propõe leituras e que dialoga com sua comunidade.” Para ele, mesmo em um país marcado por desigualdades históricas e baixo índice de leitura, há uma cena vibrante de leitores apaixonados, especialmente em livrarias que se posicionam como espaços culturais vivos.

Um espaço para escuta e diálogo

Instalada na Vila Adyana, próxima ao Sesc e a equipamentos culturais da cidade, a nova unidade da Livraria Mantiqueira em São José dos Campos reforça essa proposta. “A livraria é um espaço de escuta. Um lugar para conversar, para discordar, para trocar ideias. Em um país polarizado, criar espaços de convivência é um gesto político”, diz Guimarães.

Para ele, ninguém fala com todo mundo e tudo bem. “Cada projeto encontra seu público. O importante é que quem queira dialogar se sinta acolhido.” A presença do café, integrado à livraria, também faz parte da estratégia de sustentabilidade e de criação de vínculos: “Você não compra livro todo dia, mas pode querer estar ali todos os dias”.

Em um mundo cada vez mais mediado por telas e inteligência artificial, Guimarães acredita que as livrarias de rua ganham ainda mais relevância. “Vivemos uma ilusão de proximidade. As livrarias propõem outra relação com o tempo, com o corpo, com o encontro real”, reflete. “Cada livro é um portal, mas a livraria é o lugar onde esses portais se cruzam.”

A Livraria Mantiqueira mantém programação constante, com lançamentos, clubes de leitura, mediações, atividades infantis e eventos literários. “Nossa missão é simples e profunda: fazer do livro um objeto de afeto e de prazer”, conclui.

Acompanhe a Livraria Mantiqueira nas redes sociais:@livrariamantiqueiraAssista na íntegra aqui: