Mães empresárias transformam maternidade em vantagem competitiva nos negócios
Para especialista em desenvolvimento humano, vivência materna fortalece liderança, amplia conexões e contribui para uma gestão mais empática e eficiente
247 - Durante muito tempo, a maternidade foi vista como um entrave à ascensão profissional de mulheres. Hoje, esse paradigma vem sendo desafiado por empresárias que transformam a experiência de ser mãe em um diferencial competitivo. Para a especialista em gestão e desenvolvimento humano Fernanda Tochetto, a maternidade pode ser um ativo estratégico na construção de negócios mais humanos, conectados e eficazes.
Com mais de duas décadas de atuação na educação empresarial, Tochetto afirma que o papel materno não apenas contribui para a ampliação da escuta e da empatia, como também fortalece vínculos com colaboradores, fornecedores e clientes. “Ser mãe amplia a escuta, a empatia e a capacidade de decisão sob pressão — competências essenciais para quem lidera”, afirma. Ela observa que muitas mulheres à frente de empresas têm encontrado nesse papel um canal legítimo de conexão com as pessoas ao seu redor, favorecendo um ambiente mais colaborativo e produtivo.
Segundo a fundadora do Tittanium Club, movimento voltado à educação empresarial, o networking entre mães empreendedoras ainda é pouco explorado, mas tem grande potencial de gerar negócios de alto valor. “Mulheres que compartilham experiências maternas criam vínculos que vão além do cartão de visitas. Elas formam redes de apoio e negócios ao mesmo tempo”, afirma. Para Tochetto, o mercado precisa reconhecer que espaços com protagonismo feminino e escuta ativa tendem a gerar trocas mais genuínas e transformadoras.
Dados do Sebrae indicam que a maternidade é uma das principais razões pelas quais muitas mulheres decidem empreender, seja para equilibrar a criação dos filhos com a vida profissional, seja pela busca de autonomia e flexibilidade. Para Tochetto, essa motivação inicial costuma evoluir para um modelo de gestão mais estruturado e sustentável. “Ao estruturar sua empresa, muitas mães trazem para o modelo de gestão princípios como cuidado, organização, adaptabilidade e visão de longo prazo — aprendizados que vêm diretamente da rotina com os filhos”, explica.
Esses princípios impactam diretamente a construção de equipes, o atendimento ao cliente e a condução de negociações. Habilidades como escuta ativa e compreensão das necessidades alheias tornam-se vantagens estratégicas. “Uma mãe empreendedora costuma identificar com mais rapidez gargalos de comunicação, desmotivação na equipe ou mudanças de comportamento no consumidor. E isso permite ações mais rápidas e eficazes”, pontua.
Outro aspecto relevante é a capacidade de priorização, aprimorada pela maternidade e essencial em um mundo corporativo acelerado e cheio de estímulos. “Mães empreendedoras aprendem a tomar decisões com base no impacto real, e isso se traduz em mais eficiência na gestão do tempo, nos processos e na delegação de tarefas”, observa Tochetto. Em sua visão, essa habilidade é uma das mais valorizadas nas lideranças contemporâneas.
Ela conclui que a maternidade, quando ressignificada e integrada à identidade profissional, pode se tornar uma força poderosa para o desenvolvimento de culturas organizacionais mais humanas e autênticas. “Falar de negócios não precisa excluir o lado pessoal. Ao contrário: quando incluímos nossa vivência como mães, criamos vínculos mais autênticos. Isso abre portas, gera oportunidades e fortalece o posicionamento da mulher como líder”, finaliza.
