MEIs crescem após CadÚnico e impulsionam renda no Brasil
Levantamento do Sebrae e do MDS mostra que 2,6 milhões de brasileiros abriram MEI após ingresso no CadÚnico
247 - O número de brasileiros que encontraram no empreendedorismo formal uma alternativa para ampliar a renda familiar vem crescendo nos últimos anos. Um levantamento realizado pelo Sebrae em parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) aponta que cerca de 57% dos microempreendedores individuais (MEIs) inscritos no Cadastro Único (CadÚnico) decidiram abrir um CNPJ após entrarem na plataforma de programas sociais do governo federal.
Os dados foram divulgados originalmente pela Agência Sebrae de Notícias (ASN) e revelam que aproximadamente 4,6 milhões de MEIs fazem parte do CadÚnico, universo que representa quase três em cada dez microempreendedores individuais do país. Atualmente, o Brasil contabiliza cerca de 16,6 milhões de MEIs formalizados.
A pesquisa reforça uma tendência identificada em levantamentos anteriores: o acesso às políticas públicas de assistência social tem servido como porta de entrada para a autonomia financeira. Segundo o estudo, aproximadamente 2,6 milhões de brasileiros abriram o MEI após aderirem ao CadÚnico, enquanto outros 1,9 milhão já possuíam CNPJ antes da inscrição no sistema.
Políticas públicas ampliam inclusão produtiva
O presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, destacou o papel dos pequenos negócios no fortalecimento da economia brasileira e na geração de oportunidades. Segundo ele, o empreendedorismo tem sido decisivo para ampliar renda e inclusão social no país.
“As políticas públicas impulsionam o empreendedorismo. No ano passado, reunimos uma sequência consistente de indicadores positivos. O Brasil possui enorme capacidade produtiva, tendo os pequenos negócios como grandes protagonistas. A inclusão social, de renda e emprego, passa pelo empreendedorismo”, afirmou Rodrigo Soares.
O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, também ressaltou a importância das políticas de proteção social como instrumento de transformação econômica e produtiva.
“As políticas de Estado cumprem um papel fundamental ao garantir proteção às famílias, mas também ao abrir caminhos concretos para a autonomia. Quando uma pessoa acessa o Cadastro Único, ela passa a ter oportunidades de qualificação, crédito e inclusão produtiva. O que esses dados mostram é que a política social não é ponto de chegada — é ponto de partida para que milhões de brasileiros possam empreender, gerar renda e construir um futuro com mais dignidade”, declarou Wellington Dias.
Mulheres lideram entre os MEIs do CadÚnico
O levantamento mostra ainda que a maior parte dos microempreendedores inscritos no CadÚnico é formada por mulheres, que representam 55,3% desse público. A pesquisa também aponta predominância de pessoas não brancas, que correspondem a 64% dos MEIs cadastrados.
Outro dado relevante é o perfil etário dos empreendedores. Mais da metade dos microempreendedores vinculados ao CadÚnico, cerca de 53%, possui entre 30 e 49 anos. Em relação à escolaridade, aproximadamente 51% têm Ensino Médio completo ou nível de instrução superior.
As famílias compostas por três ou mais integrantes também predominam entre os empreendedores pesquisados, representando 51,3% do total. O cenário indica que a formalização tem sido utilizada como estratégia para ampliar a estabilidade financeira de núcleos familiares maiores.
Setor de serviços concentra maioria dos empreendedores
Entre os segmentos econômicos mais procurados pelos MEIs inscritos no CadÚnico, o setor de serviços aparece na liderança, concentrando 53,9% das atividades formalizadas. O comércio ocupa a segunda posição, com 26% dos registros.
Já a indústria representa cerca de 10% dos microempreendedores ligados ao cadastro social. Segundo o levantamento, o destaque do setor de serviços está relacionado ao menor investimento inicial exigido para abertura das atividades.
A pesquisa também associa o avanço do empreendedorismo formal à melhora da renda das famílias brasileiras. Dados apresentados pelo governo federal indicam que mais de 2 milhões de famílias deixaram o Programa Bolsa Família somente em 2025. Desse total, 1,3 milhão saiu do programa em razão do aumento da renda familiar, enquanto outras 726 mil concluíram o período previsto na chamada regra de proteção.
CadÚnico reúne mais de 95 milhões de brasileiros
O Cadastro Único reúne atualmente cerca de 95 milhões de brasileiros, distribuídos em aproximadamente 42 milhões de famílias. O levantamento aponta ainda que as mulheres representam 57% das pessoas inscritas no sistema federal de assistência social.
Outro dado destacado pela pesquisa mostra que 78% dos responsáveis familiares cadastrados no CadÚnico são mulheres, reforçando o protagonismo feminino tanto na gestão familiar quanto na busca por alternativas de geração de renda.
O estudo do Sebrae e do MDS indica que a combinação entre políticas sociais, qualificação profissional e estímulo ao empreendedorismo tem ampliado o número de brasileiros que buscam na formalização uma oportunidade de crescimento econômico e independência financeira.