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Mercado pet cresce com avanço de negócios focados em gatos

Abertura de pequenos empreendimentos aumenta 22% entre 2023 e 2025, impulsionada pelo crescimento do público gateiro e pela demanda por produtos e serviços

Mercado pet cresce com avanço de negócios focados em gatos (Foto: Pinnu/Pixabay)

247 - O mercado pet segue aquecido no Brasil e revela um movimento consistente de expansão dos pequenos negócios, especialmente aqueles voltados ao público gateiro. Entre 2023 e 2025, o número de empreendimentos criados no segmento cresceu 22%, com a abertura de mais de 41,6 mil pequenos negócios em todo o país. Os dados fazem parte de levantamento do Sebrae, elaborado com base em informações da Receita Federal.

Desse total, 12,7 mil empresas foram abertas em 2023, outras 13,3 mil em 2024 e mais 15,5 mil em 2025. A ampla maioria, cerca de 91%, é formada por microempreendedores individuais (MEI), o que reforça o papel dos pequenos negócios na dinâmica do setor pet brasileiro.

Um dos principais fatores que explicam esse crescimento é a expansão contínua do número de tutores de gatos no país. Estima-se um aumento anual de 2,5% no número de donos de felinos, responsáveis por uma população aproximada de 30 milhões de gatos. Esse grupo já se consolidou como o segmento pet que mais cresce no Brasil, superando, nos últimos anos, o ritmo de crescimento observado entre os tutores de cães.

Segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), o mercado pet brasileiro movimenta cerca de R$ 77 bilhões, com forte avanço das categorias premium e especializadas. Os gatos já representam 19% da população pet nacional, percentual que vem crescendo de forma mais acelerada do que o de cães. O fortalecimento desse público ganha ainda mais visibilidade com a celebração do Dia Internacional do Gato, em 17 de fevereiro.

Esse cenário tem ampliado as oportunidades para micro e pequenos empreendedores que investem em produtos premium, serviços cat friendly, bem-estar animal e soluções criativas voltadas ao público gateiro. Para o Sebrae, o movimento reforça o protagonismo dos pequenos negócios na pulverização de oportunidades e na inclusão produtiva dentro do setor.

“O pequeno pet shop de bairro não é coadjuvante, ele é protagonista, pois consegue conquistar mercado e pulverizar oportunidades, com inclusão e novas oportunidades”, afirma Décio Lima, presidente do Sebrae.

Diferenciais competitivos

O Sebrae atua como parceiro estratégico do setor pet desde 2015, com atenção crescente ao segmento felino. “O Sebrae está presente em todo país para dar apoio na gestão eficiente, padronização de processos, capital humano e estímulo às oportunidades”, afirma Décio Lima.

Entre as frentes de apoio oferecidas estão trilhas de capacitação em finanças, precificação, controle de estoque, marketing digital e gestão estratégica, além de orientações específicas para negócios cat friendly. De acordo com o Sebrae, o tutor de gatos apresenta hábitos de consumo distintos, buscando ambientes tranquilos, atendimento especializado e um mix de produtos focado no bem-estar do animal.

A chamada “ascensão felina” está diretamente ligada à verticalização das cidades e às mudanças no estilo de vida das famílias. Estudos acompanhados pelo Sebrae, em parceria com instituições como o Instituto Pet Brasil (IPB) e a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), apontam crescimento contínuo nas áreas de alimentação funcional, saúde preventiva, enriquecimento ambiental e produtos premium voltados aos gatos.

Empreendedorismo na prática

Em Brasília, a empresária Mariana Eduarda Brod, proprietária do Betina Cat Café, acompanha de perto essa transformação. O empreendimento, referência na capital federal, aposta em um modelo de negócio totalmente direcionado ao público gateiro, com uma experiência de convivência com gatos e ações voltadas à adoção responsável.

“O mercado cresce ano após ano. As pessoas estão adotando mais gatos, e aquele antigo preconceito de que o gato não é companheiro está ficando para trás”, afirma Mariana Eduarda Brod.

Segundo a empresária, o foco exclusivo em felinos se tornou um diferencial competitivo. “O gateiro se sente representado. Aqui é um espaço pensado só para quem ama gatos. Isso cria identidade, pertencimento e fidelização”, diz.

Além do conceito, o Betina Cat Café incorpora práticas sustentáveis, como o uso de granulado sanitário biodegradável, redução de plástico, embalagens de papel e apoio a projetos de reciclagem e castração de animais de rua. “A causa animal, a sustentabilidade e o empreendedorismo caminham juntos”, destaca.

Especialização como estratégia

Em São Paulo, o empresário Décimo Baccarini Neto, fundador da Raça & Ração, atua há 21 anos no mercado pet e identifica no segmento felino uma das maiores oportunidades atuais. “O tutor de gatos está mais informado, mais exigente e disposto a investir em qualidade. Por isso, a especialização virou estratégia de crescimento”, afirma.

A empresa investe em orientação técnica, curadoria de produtos voltados ao bem-estar animal e práticas sustentáveis, como o uso de energia solar e a reciclagem de embalagens, acompanhando a crescente demanda por qualidade, responsabilidade ambiental e atendimento personalizado.

O uso de energia solar, a reciclagem de embalagens e a escolha de fornecedores alinhados a boas práticas ambientais fazem parte do cotidiano do negócio. “No atendimento ao público felino, esse cuidado é ainda mais valorizado. Sustentabilidade deixou de ser discurso e virou diferencial competitivo”, observa Neto.

Para empresários do setor, a profissionalização da gestão e o apoio institucional têm sido decisivos para transformar a paixão pelos animais em negócios sustentáveis, preparados para crescer em um mercado cada vez mais especializado e exigente.