Micro e pequenas empresas geraram 64% dos empregos em janeiro
Estudo do Sebrae com base no Caged mostra que MPEs criaram 71,7 mil das 112,3 mil vagas formais no mês, em cenário de desemprego no menor nível da série
247 - As micro e pequenas empresas (MPEs) foram responsáveis por 64% dos empregos formais criados no Brasil em janeiro, segundo levantamento do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) com base em dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). No período, foram abertas 112.334 vagas com carteira assinada no país, das quais 71.732 tiveram origem em pequenos negócios.
O estudo do Sebrae indica que o segmento segue como o principal motor da geração de postos de trabalho no país. Para o presidente da instituição, Décio Lima, o resultado reforça a relevância dos empreendedores para a dinâmica da economia brasileira.
“De 2023 a 2025, as micro e pequenas empresas responderam por 78% do saldo de empregos da nossa economia. É um resultado extremamente significativo que reafirma a importância de assegurar um ambiente de negócios que estimule e dê suporte ao surgimento de novas empresas”, comenta.
Entre os setores da economia, a atividade que mais gerou empregos nas MPEs em janeiro foi a construção civil, com saldo de 36.337 vagas. Na sequência aparecem os serviços, que criaram 30.064 postos de trabalho, e a indústria de transformação, responsável por 28.008 novas contratações.
Os números reforçam o peso estrutural dos pequenos negócios na absorção de mão de obra e na sustentação do mercado de trabalho formal. O desempenho também ocorre em um contexto de indicadores favoráveis do emprego no país.
Mercado de trabalho mantém taxa mínima de desemprego
Esse cenário de geração de vagas ocorre paralelamente à manutenção de indicadores positivos no mercado de trabalho brasileiro. Dados divulgados nesta quinta-feira (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua Mensal, mostram que a taxa de desocupação no Brasil ficou em 5,4% no trimestre móvel encerrado em janeiro de 2026, mantendo o menor patamar da série histórica iniciada em 2012.
O resultado representa estabilidade em relação ao trimestre anterior e queda de 1,1 ponto percentual na comparação com o mesmo período do ano passado. Segundo o IBGE, cerca de 5,9 milhões de pessoas estavam desocupadas no país no período analisado — o menor contingente desde o início da série comparável.
Apesar da estabilidade frente ao trimestre anterior, o número de pessoas sem trabalho recuou 17,1% em relação ao mesmo trimestre de 2025, o que corresponde a aproximadamente 1,2 milhão de brasileiros a menos em situação de desemprego.
A renda média do trabalhador também avançou. O rendimento médio real habitual chegou a R$ 3.652, o maior valor já registrado pela pesquisa. O indicador cresceu 2,8% na comparação com o trimestre anterior e registrou alta de 5,4% em relação ao mesmo período do ano passado.
Outro recorde foi observado na massa de rendimento real habitual — a soma de todos os salários pagos no país — que alcançou R$ 370,3 bilhões. O montante aumentou 2,9% frente ao trimestre anterior, o equivalente a R$ 10,5 bilhões a mais, e apresentou expansão de 7,3% na comparação anual, com acréscimo de R$ 25,1 bilhões em relação ao mesmo período de 2025.