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Mulheres empreendedoras enfrentam barreiras no acesso ao crédito no Brasil

Relatório aponta juros altos, exigências rígidas e falta de produtos financeiros adaptados como entraves para mulheres que comandam pequenos negócios

Mulheres empreendedoras enfrentam barreiras no acesso ao crédito no Brasil (Foto: Freepik)

247 - Apesar do crescimento expressivo do empreendedorismo feminino no Brasil na última década, o acesso ao crédito ainda permanece desigual para mulheres que lideram pequenos negócios. Dados recentes mostram que, mesmo com o avanço, esse público continua recebendo menos de um terço do total de financiamentos concedidos às empresas no país.

As informações foram divulgadas pela Agência Sebrae de Notícias, com base em estudo do Sebrae elaborado a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (PNAD Contínua). O levantamento revela que o empreendedorismo feminino cresceu quase 30% nos últimos dez anos, mas esse avanço não foi acompanhado por uma ampliação proporcional no acesso a recursos financeiros.

A análise integra o Relatório de Cidadania Financeira do Banco Central do Brasil (BCB), em artigo assinado por Giovanni Beviláqua, coordenador de Acesso a Crédito e Investimentos do Sebrae, e Marcio Borges, analista da Unidade de Empreendedorismo Feminino, Diversidade e Inclusão (UEDI). O documento examina os principais obstáculos enfrentados pelas mulheres ao buscar financiamento.

As dificuldades identificadas incluem taxas de juros elevadas, exigências rígidas de garantias, menor histórico de crédito formal, burocracia excessiva, ausência de produtos financeiros adequados e limitações enfrentadas por empreendedoras que conciliam a gestão do negócio com a maternidade.

Barreiras estruturais limitam inclusão financeira

Segundo o relatório, o problema vai além de fatores econômicos e envolve questões sociais, culturais e institucionais. O texto destaca que “o financiamento do empreendedorismo feminino no Brasil é um desafio complexo que exige uma abordagem multidisciplinar”.

O documento também aponta entraves específicos relacionados ao acesso a garantias e à ausência de soluções financeiras adaptadas à realidade das mulheres. Nesse contexto, afirma que “as dificuldades na obtenção de garantias e a falta de produtos financeiros voltados para a realidade das mulheres ainda limitam a inclusão financeira feminina entre os empreendedores”.

A análise reforça que a ampliação do acesso ao crédito depende de mudanças estruturais no sistema financeiro, com o desenvolvimento de mecanismos mais inclusivos e adequados ao perfil das empreendedoras.

Iniciativas buscam ampliar acesso ao crédito

Entre as medidas citadas como caminhos possíveis, está o fortalecimento de instrumentos como o Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas (Fampe). A iniciativa permite oferecer até 100% de garantia em financiamentos contratados por mulheres, reduzindo uma das principais barreiras de acesso.

Em 2025, o Fampe viabilizou o acesso a R$ 734 milhões em crédito para empreendedoras, evidenciando o potencial de políticas direcionadas para ampliar a inclusão financeira desse público.

Os autores do estudo ressaltam que ampliar o crédito para mulheres tem impacto direto não apenas na trajetória individual das empreendedoras, mas também na economia. Segundo o relatório, “ao fortalecer o acesso das mulheres ao crédito, não apenas são ampliadas as oportunidades individuais, mas também é impulsionado o desenvolvimento econômico do país, promovendo um mercado mais inclusivo e equilibrado”.

Relatório orienta políticas públicas e inclusão

O Relatório de Cidadania Financeira do Banco Central reúne dados sobre o acesso e o uso de serviços financeiros no Brasil, avaliando aspectos como inclusão, educação financeira e proteção ao consumidor. O documento funciona como ferramenta para monitorar o nível de bancarização no país.

Além disso, o material subsidia a formulação de políticas públicas voltadas à melhoria da gestão financeira da população e à redução das desigualdades no acesso a crédito, especialmente entre grupos historicamente menos atendidos pelo sistema financeiro.