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Olhar feminino transforma negócios digitais de bem-estar

Com foco em permanência, método e rotina real, empreendedoras constroem comunidades em mercado que deve superar US$ 30 bilhões até 2030

Olhar feminino transforma negócios digitais de bem-estar (Foto: Reprodução/Freepik )

247 - O mercado global de bem-estar passa por uma transformação estrutural que vai além da incorporação de novas tecnologias. Projeções da Grand View Research indicam que o setor deve ultrapassar a marca de US$ 30 bilhões até 2030, impulsionado por estratégias de personalização, uso intensivo de dados e modelos baseados em assinaturas recorrentes. No Brasil, o movimento acompanha essa expansão. Dados do Sebrae, com base na PNAD Contínua 2024 do IBGE, apontam que o país alcançou o recorde de 10,35 milhões de mulheres donas de negócio, o maior número já registrado.

A presença feminina é particularmente expressiva nos segmentos de serviços ligados à beleza, saúde e qualidade de vida. No ambiente digital, esse protagonismo se traduz em iniciativas que combinam autoridade técnica, recorrência de receita e formação de comunidade como pilares estratégicos. Mais do que oferecer serviços online, as fundadoras estruturam seus modelos a partir da vivência concreta do público que atendem, reorganizando a jornada da cliente e priorizando permanência como fator de sustentabilidade financeira.

Um exemplo desse movimento é o Elah App, criado pela ex-ginasta da Seleção Brasileira Flávia Cristófaro. Desenvolvido com investimento inicial de R$ 200 mil, o aplicativo foi concebido com foco em assinatura, progressão metodológica e construção de base ativa. A lógica do negócio se apoia em quatro pilares centrais, que refletem uma visão estratégica orientada pela experiência feminina.

Jornada organizada para gerar permanência

Segundo Flávia, a continuidade é o elemento central do modelo. “Em iniciativas digitais, muitos concentram esforços em atrair novas clientes. Eu sempre pensei em continuidade. Quando a usuária entende a progressão e enxerga evolução real, ela permanece. Permanência é o que sustenta o caixa no longo prazo”, afirma. Para ela, considerar as diferentes fases e ritmos da mulher altera o desenho do serviço e impacta diretamente a estabilidade financeira da operação.

Serviço adaptado à rotina real amplia alcance

A adaptação da entrega à realidade cotidiana das usuárias também é tratada como decisão estratégica. “A mulher que trabalha o dia inteiro, cuida da casa, dos filhos e ainda tenta encaixar autocuidado não pode consumir algo pensado para quem tem tempo ilimitado. Se ignoramos essa realidade, limitamos o alcance. Ajustar formato e duração é decisão estratégica”, explica. Ao reconhecer múltiplas jornadas e restrições de tempo, a plataforma amplia o público potencial e melhora o desempenho comercial.

Influência consolidada como ativo de tração

A construção prévia de audiência nas redes sociais é outro diferencial relevante. Empreendedoras que já possuem presença consolidada partem com um nível de confiança estabelecido junto ao público, o que reduz barreiras de validação inicial e acelera os primeiros resultados. “Ter uma audiência que já acompanhava meu trabalho facilitou o início. Mas influência sozinha não sustenta crescimento. Ela abre caminho. O que mantém a base ativa é consistência e método”, diz Flávia.

Formação técnica como diferencial competitivo

Formada em Educação Física pela Universidade de São Paulo (USP) e com experiência na Seleção Brasileira de Ginástica Aeróbica Esportiva, Flávia estruturou o aplicativo a partir da vivência no alto rendimento e do trabalho com mulheres de diferentes perfis. Para ela, o método é o que consolida o posicionamento no longo prazo. “Eu não queria lançar apenas mais um aplicativo de treino. Queria criar uma metodologia estruturada, com progressão clara, segurança na execução e fundamento científico. Quando você constrói um sistema consistente, entrega mais do que conteúdo, entrega direção”, afirma.

A educadora física ressalta que a experiência profissional foi determinante para o desenho da jornada dentro da plataforma. “Aprendi que resultado não vem de intensidade aleatória, mas de progressão adequada e constância. O aplicativo traduz essa lógica em um formato acessível, sem abrir mão da responsabilidade técnica”, conclui

O avanço de modelos estruturados sob essa perspectiva sinaliza uma mudança na forma de construir negócios digitais de bem-estar: menos centrados apenas na aquisição e mais orientados por retenção, método e aderência à vida real das usuárias, em um mercado que segue em trajetória de expansão sustentada