Pequenos negócios ampliam uso de IA para ganhar tempo e inovar
Pesquisa do Sebrae, FGV IBRE e Google mostra que falta de orientação ainda limita adoção da Inteligência Artificial entre micro e pequenos empreendedores
247 - A Inteligência Artificial tem se consolidado como uma aliada estratégica para pequenos negócios e microempreendedores individuais (MEIs), sobretudo na economia de tempo e na geração de novas ideias. É o que aponta levantamento realizado pelo Sebrae em parceria com o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE) e o Google, que analisou o nível de familiaridade e o uso prático dessas ferramentas em empresas de diferentes portes.
De acordo com a pesquisa, o conhecimento sobre IA cresce na mesma proporção do tamanho do negócio. Enquanto 99% das médias e grandes empresas afirmam estar familiarizadas com plataformas de IA generativa, como ChatGPT e Gemini, esse percentual é de 96% entre micro e pequenas empresas (MPEs) e de 87% entre os MEIs. Apesar disso, o uso frequente ainda é limitado: 35% nas médias e grandes empresas, 15% nas MPEs e 18% entre os microempreendedores individuais.
Os dados mostram também diferenças claras quanto às finalidades do uso da tecnologia. Nas médias e grandes empresas, a principal aplicação da IA é a análise de dados, citada por 67% dos entrevistados. Já entre as MPEs e os MEIs, o foco está em marketing e divulgação, apontados como prioridade por 59% e 74%, respectivamente.
Para o presidente do Sebrae, Décio Lima, a expansão da Inteligência Artificial é um processo irreversível, e a inclusão dos pequenos negócios nesse movimento é fundamental para o desenvolvimento econômico do país. “A inovação tecnológica é um novo paradigma para os pequenos negócios, a exemplo da sustentabilidade socioambiental. Nesse sentido, precisamos apoiar o desenvolvimento de políticas públicas que facilitem o acesso desses empreendedores. Isso passa, necessariamente, por mais orientação e acesso a crédito para que eles possam tornar viáveis esses avanços, apoio que eles podem encontrar no Sebrae”, afirma.
Obstáculos à adoção
A pesquisa revela que os desafios para o uso da IA também variam conforme o porte das empresas. Entre médias e grandes corporações, a principal preocupação é a segurança da informação, apontada por 35% dos respondentes. Já entre as MPEs e os MEIs, a cibersegurança aparece com menor relevância, citada por apenas 12% e 10%, respectivamente.
No caso das micro e pequenas empresas, 30% afirmam não enfrentar nenhuma dificuldade no uso da IA. Entre os microempreendedores individuais, porém, o obstáculo mais frequente é a falta de conhecimento prático sobre como aplicar a tecnologia no negócio, mencionada por 23% dos entrevistados.
Segundo a pesquisadora do FGV IBRE Anna Carolina Gouveia, os resultados evidenciam demandas distintas entre os diferentes perfis empresariais. “Como exemplo, destacam-se as percepções dos maiores desafios no uso da IA: enquanto 35% das médias e grandes empresas apontam a segurança e privacidade como os de maior relevância, 50% dos MEIs não sabem como incorporar a tecnologia nos negócios ou não têm tempo para qualificar as pessoas ou, ainda, não sabem dizer quais seriam os maiores obstáculos”, explica. Para ela, os dados reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas à inclusão no uso da Inteligência Artificial.
Ganhos percebidos
Os benefícios obtidos com a adoção da IA também variam de acordo com o porte do negócio. Nas médias e grandes empresas, o aumento da produtividade é o principal ganho, citado por 42% dos respondentes. Esse percentual cai para 22% nas MPEs e para 13% entre os MEIs.
Entre as micro e pequenas empresas, a economia de tempo é o resultado mais mencionado, alcançando 34%. Nas médias e grandes empresas, esse índice é de 25%, enquanto entre os microempreendedores individuais chega a 24%. Já para os MEIs, o maior benefício percebido é a geração de novas ideias, apontada por 41%, contra 22% nas MPEs e 13% nas empresas de maior porte.
Para Eitan Blanche, líder de Parcerias da Busca do Google, os números confirmam a agilidade do empreendedor brasileiro, mas também revelam um desafio importante. “Mas ainda existe uma distância muito grande entre o conhecimento e a aplicação de IA nas PMEs e nas grandes empresas. Por isso, estamos desenvolvendo cursos em parceria com o Sebrae, como a Imersão Empreendedora em IA, que permite aos pequenos negócios evoluir no conhecimento em Inteligência Artificial. E que entendam, na prática, como usar essas as soluções, entre elas o Perfil da Empresa e o Gemini, para desenvolver os negócios de forma estratégica e gerar ainda mais impacto real na economia”, afirma.
O levantamento ouviu cerca de 5.000 empresas em todo o país e foi realizado em setembro de 2025.