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Pequenos negócios lideram produção de café no Brasil

Pesquisa revela que 54% dos cafeicultores brasileiros atuam em pequenas propriedades e ampliam aposta em cafés especiais e certificações

Muda de café (Foto: Governo/PR)
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247 - Mais da metade dos produtores brasileiros de café é formada por pequenos negócios. É o que aponta um levantamento inédito do Sebrae, baseado na Pesquisa Nacional de Segmentação dos Produtores de Café, que identificou que 54% dos cafeicultores do país atuam em propriedades com menos de 20 hectares. Os médios produtores representam 38% do setor, enquanto os grandes somam 8%.

Os dados foram divulgados pela Agência Sebrae de Notícias e mostram um retrato detalhado do perfil da cafeicultura nacional, incluindo escolaridade, faixa etária, produção de cafés especiais e adesão a certificações socioambientais. O estudo ouviu 1.102 produtores em 14 estados brasileiros.

De acordo com a pesquisa, os pequenos produtores estão mais concentrados fora da região Sudeste. Rondônia lidera o ranking nacional, com 87% dos cafeicultores classificados como pequenos negócios. Em seguida aparecem Acre, com 83%, e Goiás mais Distrito Federal, com 76%. Já Minas Gerais e São Paulo apresentam predominância de produtores de médio porte.

Perfil dos produtores brasileiros

O levantamento também traçou o perfil médio do empreendedor rural do café no Brasil. Entre os pequenos negócios, os produtores têm, em média, 49 anos de idade e acumulam cerca de 21 anos de experiência na atividade.

A pesquisa aponta ainda que mais da metade dos entrevistados possui ao menos o ensino médio completo. Segundo a analista de Competitividade do Sebrae, Carmen Sousa, o nível de escolaridade varia entre os estados brasileiros.

“A escolaridade dos produtores varia consideravelmente entre os estados. Em Minas Gerais, Paraíba, Goiás, Distrito Federal e São Paulo, temos uma maior concentração de pessoas com ensino superior completo e pós-graduação”, afirmou Carmen Sousa.

Estados se destacam em formação acadêmica

Entre os estados com maior percentual de cafeicultores com ensino superior, a Paraíba lidera, com 53% dos produtores graduados. Goiás e Distrito Federal aparecem logo depois, com 47%, seguidos por Minas Gerais, com 45%, e São Paulo, com 40%.

Quando o recorte é pós-graduação, Goiás e Distrito Federal concentram o maior índice, com 29% dos produtores. Na sequência aparecem Paraíba e São Paulo, ambos com 11%, além de Minas Gerais, com 8%.

Os homens ainda são maioria no setor cafeeiro brasileiro, representando 79% dos produtores entrevistados, enquanto as mulheres somam 21%.

Geração X domina a cafeicultura

O estudo também mostra que a geração X, formada por pessoas entre 41 e 56 anos, é predominante na produção de café no país, representando 41% dos entrevistados. Os chamados baby boomers, com mais de 57 anos, correspondem a 29%.

Já os millennials, na faixa entre 25 e 40 anos, representam 27% dos produtores. A geração Z, entre 18 e 24 anos, ainda possui baixa participação no setor, com apenas 3%.

Outro destaque do levantamento é o avanço da produção de cafés especiais no Brasil. Segundo a pesquisa, 61% dos produtores afirmaram produzir cafés diferenciados, segmento que ganha espaço no mercado nacional e internacional.

Certificações e cafés especiais ganham espaço

A valorização da qualidade e da sustentabilidade também aparece nos números relacionados às certificações socioambientais. O estudo mostra que 27% dos produtores já possuem algum tipo de certificação, enquanto 29% pretendem conquistar esse reconhecimento nos próximos anos.

As indicações geográficas (IGs) também se consolidam como diferencial competitivo da cafeicultura brasileira. Atualmente, o Brasil possui 23 IGs de café, todas apoiadas pelo Sebrae.

Nesse cenário, São Paulo reúne 44% dos produtores entrevistados com adesão às indicações geográficas, seguido por Minas Gerais, com 35%.

“O apoio à gestão para a conquista desses reconhecimentos de qualidade e para a adoção de práticas sustentáveis é fundamental para o fortalecimento do setor e dos empreendedores”, destacou Carmen Sousa.