Pequenos negócios reavaliam fornecedores com reforma tributária
Mudanças no sistema exigem análise do regime tributário para reduzir custos e aproveitar créditos nas relações comerciais entre empresas
247 - Os pequenos negócios, responsáveis por cerca de 96% das empresas abertas no Brasil em 2025, devem enfrentar novas decisões estratégicas com a implementação da reforma tributária. De acordo com informações da Agência Sebrae de Notícias (ASN), as mudanças exigirão maior atenção na escolha do regime tributário, especialmente no momento de estabelecer relações comerciais com fornecedores da indústria e do comércio.
A análise, segundo o Sebrae, passa a envolver fatores como o valor dos produtos ou serviços adquiridos, o regime tributário do fornecedor e o enquadramento fiscal da própria empresa. Essa combinação será determinante para definir se determinada parceria comercial resulta em menor custo final, considerando também o aproveitamento de créditos tributários.
Na prática, o novo modelo pode influenciar diretamente a escolha de fornecedores. Dependendo do regime adotado, empresas poderão priorizar parceiros que ofereçam melhores condições fiscais. O analista de Competitividade do Sebrae Nacional, Edgard Fernandes, exemplifica essa dinâmica ao afirmar: “Se a empresa é contribuinte do regime geral ou optante pelo regime do Simples nacional híbrido, ela tende a adquirir insumos de empresas do Simples Nacional híbrido para aproveitamento de créditos.”
Esse cenário indica que decisões tributárias deixarão de ser apenas uma questão contábil e passarão a impactar diretamente a estratégia de compras e a formação de parcerias comerciais. Assim, empreendedores precisarão avaliar cuidadosamente o regime mais adequado ao seu setor e à cadeia produtiva em que estão inseridos.
A reforma tributária prevê uma implementação gradual. O ano de 2026 será marcado por testes com alíquotas simbólicas. Já no segundo semestre, empresas optantes pelo Simples Nacional deverão definir como será o recolhimento do IBS e da CBS para o primeiro semestre de 2027, medida que ainda depende de regulamentação. Em 2027, começa a cobrança efetiva da CBS, que substituirá o PIS e a Cofins.
A partir de 2029, o IBS passará a substituir o ICMS e o ISS, com a transição completa prevista para 2033, quando os tributos antigos serão extintos. Para os pequenos negócios, o Simples Nacional será mantido, mas com uma novidade relevante: a possibilidade de escolher entre recolher IBS e CBS dentro do próprio regime simplificado ou fora dele, pelo sistema regular. Já os microempreendedores individuais (MEI) não terão mudanças e continuarão com valores fixos mensais.
A proposta da reforma é substituir cinco tributos atuais — ICMS, ISS, PIS, Cofins e IPI — por dois novos impostos: o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), de competência estadual e municipal, e a CBS (Contribuição Social sobre Bens e Serviços), de âmbito federal. Juntos, eles formam um modelo de Imposto sobre Valor Agregado (IVA), adotado em mais de 170 países.
A estimativa é de que a alíquota total fique entre 26% e 28%, com reduções de 60% para setores essenciais, como saúde e educação, e alíquota zero para produtos da cesta básica. O novo sistema também amplia o uso de créditos tributários, reduzindo a incidência de tributação em cascata e buscando maior transparência e simplificação no ambiente de negócios.