Presença feminina avança entre mil startups do prêmio Sebrae
Participação feminina chega a 44% entre mil selecionadas do Prêmio Sebrae Startups, índice acima da média do ecossistema brasileiro
247 - A presença feminina entre startups brasileiras ganhou destaque na edição de 2025 do Prêmio Sebrae Startups. Quatro em cada dez empresas selecionadas para a lista das mil melhores contam com mulheres entre as fundadoras ou no quadro societário. O percentual de 44% supera com folga a média do ecossistema nacional de inovação, onde a participação feminina costuma variar entre 15% e 20%.
As informações foram divulgadas pelo próprio Sebrae no levantamento que analisa o perfil das startups selecionadas para a premiação deste ano. O resultado indica avanço na participação das mulheres em um setor historicamente dominado por homens, sugerindo que iniciativas de capacitação, networking e visibilidade institucional podem contribuir para reduzir desigualdades estruturais no empreendedorismo tecnológico.
Entre as mil startups selecionadas, 44% possuem ao menos uma mulher no quadro societário. A leitura combinada dos dados aponta que a ampliação do acesso a formação técnica, mentoria especializada e conexões com investidores tende a diminuir a assimetria de gênero no ecossistema de inovação.
O programa Sebrae Startups está presente nos 27 estados brasileiros e oferece apoio a empreendedores desde a fase de ideação até o momento de tração e crescimento. Nos estágios iniciais, barreiras de entrada — como acesso a conhecimento técnico, orientação qualificada e redes de relacionamento — costumam pesar mais do que a própria qualidade da solução desenvolvida.
Para especialistas do setor, a maior presença feminina entre as startups selecionadas sugere que políticas voltadas à democratização do acesso podem funcionar como instrumento de correção de distorções históricas. O próprio desenho do prêmio contribui para dar visibilidade a negócios que muitas vezes ainda não tiveram acesso a capital privado.
A gerente de inovação do Sebrae em Santa Catarina, Luciana Oda, avalia que o apoio institucional é decisivo para ampliar a diversidade no empreendedorismo tecnológico. Segundo ela, “quando ampliamos o acesso à capacitação, às redes de relacionamento e à visibilidade nacional, abrimos espaço para que mais mulheres transformem suas ideias em negócios escaláveis”.
A executiva também destaca a importância das etapas iniciais do desenvolvimento de uma startup. “O early stage é decisivo porque é onde se constrói a base da empresa — e é também onde podemos reduzir desigualdades estruturais que, no topo da cadeia, ainda são evidentes”, afirmou.
Do early stage ao topo da premiação
A edição de 2025 do Prêmio Sebrae Startups teve como vencedora nacional a NexAtlas, empresa mineira liderada por Ana Raquel Calháu Pereira. A startup conquistou o primeiro lugar na competição ao apresentar soluções digitais voltadas ao planejamento de voos e à navegação aérea.
Fundada em 2016, a NexAtlas desenvolve plataformas tecnológicas utilizadas por pilotos e profissionais da aviação. Além de atuar diretamente com consumidores, a empresa também aposta em estratégias B2B e na oferta de APIs voltadas a operadores de táxi aéreo.
O modelo de negócios combina assinaturas pagas com publicidade direcionada a prestadores de serviços aeronáuticos. No mercado internacional, a startup disputa espaço com plataformas como ForeFlight e SkyVector, apostando na adaptação às especificidades do setor aeronáutico brasileiro como principal diferencial competitivo.
Ecossistema mais maduro e com foco em escala
O levantamento das mil startups selecionadas também revela um ambiente empreendedor mais consolidado e orientado à escalabilidade. Mais de 90% das empresas estão nas fases de validação, tração, crescimento ou escala. O maior grupo — 46,7% — encontra-se no estágio de tração, momento em que o negócio já possui clientes pagantes e indicadores de desempenho em evolução.
No modelo de negócios, o segmento B2B predomina, representando 67,3% das startups. Em seguida aparecem os modelos B2B2C, com 14,7%, e B2C, com 10,7%.
O software é o principal produto de 55% das empresas selecionadas, refletindo a busca por soluções de alto potencial de replicação e baixo custo marginal. Além disso, 60,2% adotam modelos baseados em software como serviço (SaaS) ou assinatura, enquanto 58,9% já operam com Receita Recorrente Mensal (MRR).
Concentração regional e desafios de financiamento
A distribuição regional das startups também evidencia a concentração do ecossistema brasileiro. A região Sudeste responde por 40,2% das empresas selecionadas, sendo que São Paulo concentra sozinho 25,3% do total.
Fora do eixo tradicional, Santa Catarina surge como destaque, ocupando a segunda posição no ranking nacional com 156 startups selecionadas. O desempenho reforça o fortalecimento de polos regionais de inovação no país.
Apesar do avanço na maturidade dos negócios, o acesso a capital continua sendo um dos principais desafios para os empreendedores. De acordo com o levantamento, 81,3% das startups estão em busca de investimento, mas 56,4% ainda não receberam aportes de fundos de venture capital.
Entre as que já captaram recursos, 21,1% obtiveram investimentos superiores a R$ 500 mil, indicando que parte das empresas já passou por processos formais de avaliação e diligência por parte de investidores.
Próxima edição terá bônus para diversidade
A próxima edição da premiação já está em preparação. O Prêmio Sebrae Startups 2026 deve ser lançado até o final de março e manterá políticas de ações afirmativas voltadas à diversidade.
Startups que tenham sócios que se identifiquem como mulheres, pessoas negras, indígenas, pessoas com deficiência ou integrantes da comunidade LGBTQIA+ receberão bonificação de 2% na nota final em todas as etapas da competição.
O bônus poderá ser acumulado entre diferentes perfis, chegando a 8%. Quando somado à bonificação regional para negócios sediados nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, o percentual pode alcançar até 10%. A startup vencedora da próxima edição receberá um prêmio de R$ 250 mil.