Projetos de bioeconomia devem impulsionar o empreendedorismo na Amazônia
Missão institucional do Sebrae percorre Santarém, Mojuí dos Campos e Belterra para impulsionar renda, inclusão social e preservação ambiental na região
247 - Com o objetivo de impulsionar o desenvolvimento sustentável e apoiar o empreendedorismo inovador na Amazônia, o Sebrae liderou uma missão institucional na região do Baixo Amazonas, no Pará. A ação envolveu visitas técnicas a comunidades e pequenos empreendimentos dos municípios de Santarém, Mojuí dos Campos e Belterra. A iniciativa foi divulgada originalmente pelo Sebrae Nacional, que destacou o protagonismo dos negócios locais na geração de renda, inclusão social e preservação ambiental.
A delegação contou com representantes do Sistema S, organizações da sociedade civil, empresários, artistas e lideranças comunitárias. O grupo conheceu de perto iniciativas que conciliam tradição e inovação, com forte apelo à sustentabilidade. “Uma vez conectados e fortemente apoiados pelo Sebrae e seus parceiros, queremos realmente mudar esse patamar e trazer muito recurso para transformar para melhor a vida das pessoas que estão aqui cuidando da natureza”, afirmou o diretor técnico do Sebrae, Bruno Quick.
Durante a visita à Comunidade de Coroca, às margens do Rio Arapiuns, em Santarém, Quick destacou a força do empreendedorismo comunitário na Amazônia: “É uma comunidade organizada, com uma governança muito forte, que a partir de seus ativos e recursos naturais, preservando a identidade da Amazônia, se relaciona com turistas brasileiros e estrangeiros, oferecendo alto valor agregado ao mesmo tempo que garante uma vida digna e cheia de significado para si mesmos”.
Entre os projetos visitados estão a produção de mel de abelhas nativas, o artesanato tradicional e práticas sustentáveis como a criação de tartarugas-da-Amazônia e o turismo de base comunitária. O Sebrae anunciou que atuará com consultoria em métodos de pagamento e design para aprimorar as iniciativas locais nos próximos meses.
Outro ponto da missão foi a visita à agroindústria Du Nort Polpa de Frutas, que já conta com o apoio do Sebrae Pará. O empreendimento fornece frutas para a merenda escolar e está em processo de transição para produção orgânica, adotando bioinsumos como alternativa aos agrotóxicos. O apoio será ampliado com novos parceiros para fortalecer ainda mais a cadeia produtiva local.
Em Mojuí dos Campos, a delegação foi recebida pelo pequeno produtor José Cunha e sua esposa, Elizabete Ramos. O casal cultiva frutas e hortaliças em sistema agroflorestal numa área antes degradada. À frente do projeto Quintal Produtivo, Cunha coordena um grupo de 23 produtores que vendem em feiras orgânicas e para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
A missão também incluiu uma passagem pelo Museu de Ciências da Amazônia (MuCA), em Belterra. O Sebrae será parceiro estratégico na consolidação do local como polo de incubação de negócios sustentáveis, por meio das Incubadoras da Floresta, que vão capacitar empreendedores e fomentar a bioeconomia, o turismo de experiência e a inovação.
No MuCA, o grupo conheceu o Projeto Carbono da Flona, o laboratório Amazon Cure, e exposições de artesanato sustentável, como as peças com escamas de pirarucu da artesã Flor Silva do Amazonas, e os produtos da Yara Couro, feitos a partir de resíduos de pescado. As artesãs locais participaram de um intercâmbio com outras empreendedoras da região do Baixo Amazonas.
A experiência foi enriquecida com uma imersão gastronômica no restaurante-escola do MuCA, sob comando do Chef Léo Modesto, integrante do Programa de Gastronomia do Sebrae. A ação faz parte da preparação para destacar a culinária e o empreendedorismo gastronômico amazônico na COP 30, que será realizada em Belém, em novembro.
Ao final da missão, a delegação conheceu empreendimentos como o restaurante Pés na Areia, na comunidade Coroca, e a sorveteria artesanal Boto – Gelato da Amazônia, exemplos de como o sabor regional pode se aliar à inovação e ao desenvolvimento sustentável.
