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Resíduos criativos do Festival de Parintins viram design, renda e novos negócios

Projeto do Sebrae Amazonas converte materiais do festival em design, moda e decoração, ampliando renda e oportunidades para artesãos locais

Resíduos criativos do Festival de Parintins viram design, renda e novos negócios (Foto: Divulgação/Sebrae-AM)
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247 - O que antes era tratado como descarte após o encerramento do Festival de Parintins agora se transforma em fonte de renda, inovação e empreendedorismo criativo no Amazonas. Tecidos, fibras, estruturas cenográficas e outros materiais utilizados nas alegorias dos bois-bumbás estão ganhando nova utilidade em peças de design, decoração, moda e produtos autorais com identidade amazônica.

A iniciativa foi apresentada nesta sexta-feira (8) pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Amazonas (Sebrae/AM), responsável pelo projeto “Parintins Criativo: Do Festival ao Futuro”. Segundo o Sebrae Amazonas, a proposta busca consolidar uma nova cadeia de valor a partir da força cultural do Festival de Parintins, considerado o maior festival folclórico a céu aberto do mundo.

A mostra reúne produtos desenvolvidos por artesãos e artistas que participam da metodologia criada em parceria entre o Sebrae Amazonas, o Sebrae Nacional e o ecossistema criativo local. O projeto aposta em economia circular, sustentabilidade, inovação e design para dar continuidade econômica aos materiais utilizados durante o festival, criando possibilidades de comercialização ao longo de todo o ano.

Economia criativa e reaproveitamento

A iniciativa começou com 40 participantes ligados às agremiações folclóricas e atualmente já reúne 64 artesãos ativos. O crescimento do número de envolvidos demonstra o fortalecimento da proposta e o surgimento de novas oportunidades de mercado para os trabalhadores criativos da ilha.

Mais do que reutilizar resíduos, o projeto busca promover uma mudança de percepção entre os participantes. Materiais antes vistos apenas como sobra das alegorias passam a ser encarados como matéria-prima capaz de gerar produtos com valor agregado e potencial comercial.

Para a gestora do projeto de Artesanato do Sebrae Amazonas, Lilian Silvia Simões, a transformação de mentalidade é um dos principais diferenciais da iniciativa. “A essência desse projeto vai desde a transformação da percepção dos artesãos sobre o que é resíduo e o que é matéria-prima, até o investimento em uma lógica de economia circular. Também há uma mudança de olhar sobre tendências de mercado, design, moda e decorativo. É isso que faz esse projeto ser diferenciado: ele está sendo construído junto com os próprios artesãos”, afirmou.

Mercado já demonstra interesse

Segundo Lilian Simões, os primeiros resultados já aparecem no mercado. Artesãos que tradicionalmente produziam acessórios ligados ao universo dos bois-bumbás passaram a desenvolver peças decorativas, luminárias, mobiliário e itens autorais voltados ao design amazônico.

“Os produtos estão tendo uma aceitação muito intensa. Mesmo sendo protótipos, o mercado já deseja essas peças. Isso mostra que existe demanda real e potencial econômico concreto”, destacou a gestora.

A artesã Taiana Ferreira, integrante do coletivo Mãos Criadoras, afirma que o projeto ajudou a ampliar a visão dos participantes sobre as possibilidades do festival além do período das apresentações no Bumbódromo. “O projeto veio engrandecer nossa visão e fazer com que a gente entenda que o festival não acaba quando as luzes do Bumbódromo se apagam. Pelo contrário, existe um potencial enorme de transformar esses materiais em arte, produto e oportunidade, levando nossa cultura para dentro da casa das pessoas o ano inteiro”, declarou.

Artesanato ganha novos caminhos

Com 16 anos de atuação no artesanato, Tatyana Monteiro encontrou nas bolsas artesanais uma nova frente de negócios. Uma das peças apresentadas por ela reúne sementes de buriti, jacarandá, vagem de arapari, contas de madeira e materiais reaproveitados de alegorias do boi Caprichoso.

Para a artesã, o projeto abriu novas perspectivas profissionais e comerciais. “Hoje consigo enxergar minha peça como expressão artística, mas também como produto de mercado, com valor e potencial real de comercialização. Esse projeto trouxe inovação para a minha trajetória e abriu uma nova possibilidade de futuro”, afirmou.

Regiane Lima, também integrante do coletivo Mãos Criadoras, destacou que o trabalho desenvolvido não reaproveita apenas materiais físicos, mas também a estética e o imaginário do Festival de Parintins. “A gente trabalha tanto com resíduos materiais quanto com esse patrimônio imaterial, que é a magia do festival, e transformamos em produtos novos, inovadores e comercializáveis o ano inteiro”, disse.

Sustentabilidade e inovação amazônica

Entre os produtos desenvolvidos está a luminária Kurima, criada a partir de folhas de andiroba com o uso de uma técnica própria, atualmente em processo de patenteamento. O método dispensa insumos químicos e combina sustentabilidade com inovação.

“Antes, eu produzia acessórios voltados somente para o período bovino. Hoje trabalho com decoração, mobiliário e design amazônico, acessando novos mercados e novas possibilidades”, explicou uma das artesãs envolvidas no projeto.

Com 453 artesãos cadastrados em Parintins no Programa do Artesanato Amazonense, coordenado pelo Governo do Amazonas por meio da Secretaria Executiva do Trabalho e Empreendedorismo (Setemp), a iniciativa reforça a aposta na economia criativa regional como alternativa de desenvolvimento sustentável e geração de renda.

Os trabalhos produzidos pelo projeto “Do Festival ao Futuro” também podem ser acompanhados no perfil @dofestivalaofuturo, no Instagram, onde são divulgadas as criações e os artistas participantes da iniciativa.