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Sebrae destaca avanço dos pequenos negócios em encontro nacional

Evento em São Paulo debateu governança, economia global e estratégias para ampliar a competitividade das micro e pequenas empresas brasileiras

Rodrigo Soares, presidente do Sebrae (Foto: Túlio Vidal/Sebrae)
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247 - O Sebrae reuniu nesta terça-feira (26), em São Paulo, conselheiros estaduais e dirigentes de todo o país para discutir os desafios da nova economia global e o fortalecimento dos pequenos negócios no Brasil. As informações foram publicadas originalmente pela Agência Sebrae de Notícias (ASN). O encontro nacional do Conselho Deliberativo Nacional (CDN) também debateu governança institucional, internacionalização e inclusão produtiva em um cenário econômico cada vez mais digital e competitivo.

Durante a abertura do evento, o presidente do Sebrae Nacional, Rodrigo Soares, afirmou que os pequenos negócios seguem ocupando posição central na economia brasileira. Segundo dados da Receita Federal compilados pelo Sebrae, o país registrou recorde histórico de abertura de empresas em 2025, com 5,1 milhões de novos negócios, sendo 96% deles formados por MEIs, micro e pequenas empresas. Soares destacou ainda o trabalho da instituição em crédito orientado, qualificação empreendedora e inclusão produtiva.

O dirigente também celebrou a aprovação da nova política internacional do Sistema Sebrae, voltada à ampliação da presença de pequenos negócios brasileiros no mercado externo. “Essa atualização fortalece governança, planejamento e segurança jurídica”, afirmou. Ao comentar o acordo entre Mercosul e União Europeia, ele destacou que “o acordo abre oportunidades importantes para os pequenos negócios brasileiros acessarem novos mercados”.

Inclusão produtiva e fortalecimento institucional

Rodrigo Soares ressaltou ainda iniciativas voltadas à qualificação de empreendedores de baixa renda em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social. Segundo ele, cerca de 25% dos microempreendedores individuais atendidos pelo Sebrae participam dessas ações. “Disponibilizamos trilhas, jornadas e cursos para esse público. Mais da metade desses empreendedores decidiu abrir seus negócios após esse processo de capacitação”, declarou.

O presidente do CDN, José Zeferino Pedrozo, afirmou que o encontro ocorre em um momento de fortalecimento da governança do Sistema Sebrae e de maior integração entre os conselhos estaduais. “Conselhos fortes, bem estruturados e tecnicamente preparados são essenciais para um sistema coeso e alinhado”, disse. Ele também lembrou que o evento marca o último encontro nacional dos conselheiros da atual gestão.

Representando o governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos relembrou a construção das políticas públicas voltadas às micro e pequenas empresas no Brasil e destacou a trajetória do Sebrae nesse processo. “Quando começamos essa caminhada, não se falava em políticas públicas para pequenos negócios. O país olhava apenas para os grandes conglomerados”, afirmou.

Economia global e desafios da governança

Em palestra sobre cenário macroeconômico, o economista Eduardo Gianetti avaliou que o mundo atravessa o fim do ciclo da hiperglobalização iniciado nas décadas de 1980 e 1990. Segundo ele, fatores como pandemia, guerras comerciais e concentração produtiva alteraram a dinâmica econômica internacional. “O mundo percebeu que dependência extrema também gera fragilidade. Quanto maior a interdependência, mais vulneráveis ficam as cadeias produtivas”, afirmou.

Gianetti defendeu que o Brasil pode ser beneficiado pela reorganização das cadeias globais de produção graças à segurança alimentar, biodiversidade e relações diplomáticas amplas. Apesar disso, observou que a participação das micro e pequenas empresas brasileiras nas exportações ainda é reduzida. “Só 12 mil micro e pequenas empresas exportam hoje no Brasil. Existe um universo muito maior lá fora para essas empresas”, disse. O economista também associou o crescimento econômico à melhoria da educação e do saneamento básico no país.

O encontro também abordou governança e integridade institucional em palestra do ministro Bruno Dantas, do Tribunal de Contas da União (TCU). Segundo ele, organizações públicas e privadas precisam fortalecer processos institucionais permanentes e reduzir a dependência de lideranças individuais. “Integridade não pode ser uma virtude individual. Ela precisa ser institucional”, afirmou. Dantas acrescentou que “cultura é o que faz a norma ser respeitada quando ninguém está olhando”.