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Sebrae Goiás fortalece gestão de resíduos no nordeste goiano

Diagnóstico em 21 municípios aponta regionalização, inclusão social e economia circular para reduzir impactos ambientais e gerar desenvolvimento

Lideranças e comunidade de Teresina de Goiás participaram do VII Fórum Território Empreendedor Nordeste Goiano em busca de soluções para os desafios, entre eles, a gestão de resíduos sólidos. (Foto: Renato Feitosa/Sebrae )

247 - A gestão estratégica de resíduos sólidos nos municípios vai além do cumprimento da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e se traduz em benefícios diretos para a saúde pública, o meio ambiente e a economia local. Com essa visão, o Sebrae Goiás desenvolveu uma consultoria e executou um projeto no nordeste goiano, abrangendo 21 municípios das microrregiões da Chapada dos Veadeiros e do Vão do Paranã.

Segundo a Agência Sebrae de Notícias, o Diagnóstico da Gestão dos Resíduos Sólidos no Nordeste Goiano foi elaborado de forma participativa com os municípios e instituições parceiras. A região, historicamente marcada por dificuldades na destinação adequada dos resíduos, passa a vislumbrar um cenário mais sustentável e integrado, tendo a regionalização da gestão como estratégia central.

O estudo seguiu as diretrizes da Lei nº 12.305/2010 e analisou instrumentos como coleta seletiva, participação social, responsabilidade compartilhada, logística reversa e acordos setoriais. Também se baseou nos princípios de prevenção, poluidor-pagador e protetor-recebedor, priorizando a não geração, redução, reutilização, reciclagem e destinação final ambientalmente adequada dos rejeitos.

A metodologia envolveu órgãos públicos, sociedade civil, setor empresarial e instituições de pesquisa, permitindo identificar desafios e oportunidades para a gestão integrada. Caracterizada pela biodiversidade, vocação para o turismo sustentável e força do agronegócio, a região apresenta potencial para transformar a gestão de resíduos em vetor de desenvolvimento regional.

De acordo com o coordenador estadual de Políticas Públicas e Desenvolvimento Territorial do Sebrae Goiás, Charles Dumaresq, o diagnóstico revelou caminhos concretos. “Investimentos em infraestrutura para reciclagem, compostagem e outras formas de tratamento estimulam a criação de empregos, reduzem custos operacionais, fortalece a coesão social e impulsiona o crescimento de indústrias sustentáveis na região”, afirma. Ele destaca ainda que o levantamento evidenciou tanto dificuldades quanto boas práticas já existentes nos municípios.

Entre os exemplos está a cooperativa RecicleAlto, de Alto Paraíso de Goiás, referência regional na coleta de recicláveis. Em 2024, quase 200 toneladas de vidro receberam destinação correta, resultado de parcerias com iniciativas privadas, organizações ambientais e o poder público. Outro caso é a Reciclar de Posse, empresa privada que atua na triagem de resíduos secos e desempenha papel relevante na economia circular local, apesar dos desafios de escala.

Para o gerente da Regional Entorno do DF/Nordeste, Cléber Chagas, a iniciativa aponta um caminho de longo prazo. “O futuro da gestão de resíduos sólidos no Nordeste Goiano está sendo moldado agora, com planejamento, cooperação e visão de longo prazo. Transformar o lixo em oportunidade é mais do que uma meta, é um compromisso com a saúde pública, a economia local e o planeta”, conclui, destacando que as ações integram o Programa Cidade Empreendedora, desenvolvido pelo Sebrae em mais de 100 municípios goianos.