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Sebrae propõe integrar catadores à cadeia global de biocombustíveis

Iniciativa apresentada na alemanha busca formalizar coleta de óleo usado, gerar renda e atender exigências internacionais de rastreabilidade

Sebrae propõe integrar catadores à cadeia global de biocombustíveis (Foto: Freepik)

247 - Durante a Hannover Messe, na Alemanha, o Brasil avançou na construção de um modelo voltado à inclusão de catadores e cooperativas na cadeia produtiva dos biocombustíveis. A proposta busca ampliar a coleta de diferentes tipos de óleo residual, com foco no óleo de cozinha usado. As informações foram divulgadas pela Agência Sebrae de Notícias (ASN).

A iniciativa reúne a experiência de empresas brasileiras e do Sebrae na capacitação e formalização de pequenos negócios, cooperativas e trabalhadores da reciclagem. A ideia é estruturar uma rede nacional capaz de conectar coleta, logística e indústria em larga escala, fortalecendo a economia circular e criando novas oportunidades de geração de renda.

O presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, destacou o papel da instituição na preparação de pequenos negócios para integrar cadeias produtivas mais amplas. “Este anúncio trata diretamente da economia circular, com impacto na economia mundial, pois os catadores entram na cadeia que valoriza a sustentabilidade, a cidadania e agrega valor ao próprio trabalho dos catadores e catadoras”, afirmou.

Segundo ele, os impactos da proposta são múltiplos. A destinação adequada do óleo residual evita a contaminação de rios e sistemas de água, ao mesmo tempo em que cria novas fontes de renda e fortalece a base produtiva. Além disso, contribui para a indústria ao garantir uma matéria-prima sustentável com reconhecimento global.

A rastreabilidade e o controle do processo são apontados como fatores essenciais para atender mercados mais exigentes. O presidente da Be8, Erasmo Carlos Battistella, explicou como a tecnologia pode facilitar essa etapa. “Para atender mercados exigentes, inclusive internacionais, é fundamental garantir origem, registro e controle de todo o processo”, disse. Ele acrescentou: “Com tecnologia simples, muitas vezes via aplicativo no celular, é possível registrar a coleta, a origem e a entrega da matéria-prima. Isso nos permite mensurar os ganhos ambientais e monetizar créditos de carbono ou outros atributos sustentáveis”.

Atualmente, o Sebrae já atua com centenas de cooperativas em mais de 20 estados brasileiros, o que pode acelerar a implementação do modelo. A estratégia prevê priorizar regiões próximas às plantas industriais, reduzindo custos logísticos e aumentando a eficiência operacional.

Rodrigo Soares também enfatizou o caráter social e ambiental da proposta. “Estamos falando de geração de renda, fortalecimento de cooperativas, impulso aos pequenos negócios, descarbonização das cidades e avanço da economia circular. Não existe sustentabilidade de verdade sem inclusão. E não existe inclusão sem oportunidade econômica.”

O tema também ganhou destaque na agenda internacional. Durante compromissos em Hannover, na segunda-feira (20), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou o potencial dos biocombustíveis brasileiros apresentados na Alemanha. Segundo ele, a tecnologia nacional demonstra competitividade ambiental e capacidade de aplicação imediata em grandes centros urbanos.

Representantes do setor explicaram que a substituição do diesel convencional por biocombustíveis em ônibus urbanos pode ocorrer com adaptações simples. A medida tem potencial de reduzir em até 99% a emissão de fumaça preta, contribuindo diretamente para a melhoria da qualidade do ar nas cidades.