Startups ainda se concentram no Sudeste, mas novos polos de inovação ganham força no Brasil
Estudo do Sebrae aponta avanço de regiões fora do eixo tradicional, com destaque para Santa Catarina e estados do Nordeste, Norte e Centro-Oeste
247 - O ecossistema de startups no Brasil segue liderado pela Região Sudeste, mas começa a mostrar sinais consistentes de descentralização, com o crescimento de novos polos de inovação em diferentes partes do país. É o que revela um levantamento do Sebrae, com base nas mil empresas selecionadas para a edição de 2025 do Prêmio Sebrae Startups. As informações foram divulgadas pela Agência Sebrae de Notícias.
O estudo, elaborado pelo Observatório Sebrae Startups, traça um panorama atualizado do setor, analisando a maturidade das empresas, sua distribuição geográfica e as principais tendências tecnológicas. Apesar da predominância histórica do Sudeste, o relatório evidencia o fortalecimento de ecossistemas regionais fora do eixo tradicional, com destaque para Santa Catarina e estados que atuam como referências no Nordeste, Norte e Centro-Oeste.
Sudeste lidera, mas Sul ganha protagonismo
A Região Sudeste concentra 423 das mil startups analisadas, o equivalente a 40,2% do total. O estado de São Paulo lidera com ampla vantagem, reunindo 268 empresas (25,3%), seguido por Minas Gerais, com 84 representantes.
Mesmo assim, o principal destaque do levantamento é o desempenho da Região Sul, especialmente de Santa Catarina, que ocupa a segunda posição no ranking nacional, com 156 startups selecionadas. O estado consolida sua relevância como um dos principais polos emergentes de inovação no país.
Outras regiões também ganham espaço por meio das chamadas “âncoras regionais”. Pernambuco aparece como líder do Nordeste, ocupando o 7º lugar geral, enquanto o Distrito Federal se destaca no Centro-Oeste (8º lugar) e o Pará lidera no Norte (17ª posição). Esses resultados reforçam a expansão do ecossistema brasileiro para além dos grandes centros.
Startups buscam investimento, mas capital ainda é concentrado
O levantamento mostra que 81,3% das startups estão em busca de investimento, principalmente para acelerar a expansão e estruturar suas operações. Apesar disso, 56,4% ainda não receberam nenhum tipo de aporte de capital de risco.
Grande parte dessas empresas depende de recursos próprios (24,7%) ou de editais públicos (21,4%), evidenciando um cenário de crescimento baseado em bootstrapping. Já entre as que conseguiram investimento, 23,6% receberam aportes — sendo 14,3% via investidores-anjo e 9,3% em rodadas seed ou Série A.
Segundo o diretor técnico do Sebrae Nacional, Bruno Quick, o cenário revela um descompasso entre oferta e demanda de capital:
“O fato de mais de 80% das startups estarem em busca de investimento, mas mais da metade ainda não ter captado, evidencia a necessidade de fortalecer as conexões com o mercado de capital, especialmente fora dos grandes centros. O Sebrae atua para reduzir essa distância e preparar as startups para esse acesso”.
O estudo também aponta que 21,1% das startups já captaram mais de R$ 500 mil, indicando um nível relevante de maturidade e validação de mercado.
Empresas mais maduras e com receitas previsíveis
O ecossistema brasileiro de startups apresenta sinais claros de amadurecimento. Mais de 90% das empresas analisadas já estão em fases de validação, tração, crescimento ou escala. A fase de tração, por exemplo, concentra 46,7% das startups — ou seja, quase metade já possui clientes pagantes e indicadores consistentes.
Além disso, 66,1% das empresas têm mais de três anos de operação, superando o chamado “vale da morte”, período crítico para novos negócios. Em termos de faturamento, 42,5% registram receitas anuais entre R$ 360 mil e R$ 4,8 milhões.
Outro dado relevante é a adoção de modelos de receita recorrente. Cerca de 60,2% das startups operam com SaaS ou assinaturas, enquanto 58,9% utilizam o modelo de Receita Recorrente Mensal (MRR) de forma integral.
Predomínio de software e soluções B2B
O estudo confirma a predominância de soluções digitais no ecossistema brasileiro. O modelo B2B representa 67,3% das startups, seguido por B2B2C (14,7%) e B2C (10,7%). Já o segmento B2G responde por 4,2%.
Em relação aos produtos, o software lidera com 55% das ofertas, seguido por serviços tecnológicos (27,5%). Produtos físicos e hardware somam 14,8%, com destaque para setores como agronegócio, indústria 4.0 e biotecnologia.
Essa preferência por software e pelo modelo B2B está diretamente ligada à busca por escalabilidade e maior previsibilidade de receitas, fatores valorizados por investidores.
Inteligência artificial avança, mas ainda há lacunas
A adoção de inteligência artificial também aparece como tendência relevante. Cerca de 28,3% das startups utilizam APIs e serviços prontos, enquanto aproximadamente 30% desenvolvem tecnologias próprias baseadas em IA e dados.
Por outro lado, 12,9% das empresas ainda não utilizam essas tecnologias, o que pode indicar tanto limitações de acesso quanto modelos de negócio que não dependem diretamente de inovação tecnológica de ponta.
Diversidade avança, mas desafios persistem
O relatório também analisa a diversidade entre os fundadores. Mulheres estão presentes em 44% das startups, enquanto pessoas negras representam 28% dos quadros societários.
Outros grupos ainda têm participação reduzida: 12% das startups contam com fundadores LGBTQIA+, 5% incluem pessoas com deficiência e apenas 2% têm participação indígena. O estudo aponta que barreiras de acesso a capital, redes de contato e formação continuam sendo entraves importantes.
Prêmio Sebrae Startups abre inscrições para 2026
O Prêmio Sebrae Startups funciona como uma plataforma de conexão entre empreendedores, investidores e grandes empresas. A iniciativa seleciona até mil startups em estágio inicial, que participam de uma jornada de desenvolvimento e visibilidade.
A final acontece durante o Startup Summit, realizado em Florianópolis entre os dias 26 e 28 de agosto. A startup vencedora recebe um prêmio de R$ 250 mil.
As inscrições para a edição de 2026 estão abertas até 30 de abril.

