Startups do RS crescem com foco B2B e base em software
Levantamento do Sebrae aponta 1,3 mil startups no RS, com foco em software, modelo B2B e concentração em fases iniciais de desenvolvimento
247 - A realização da South Summit Brazil, entre os dias 25 e 27 de março, voltou a destacar o protagonismo do Rio Grande do Sul no cenário da inovação latino-americana, recolocando o ecossistema local no radar de investidores, empreendedores e grandes empresas.
Nesse contexto, dados do Observatório Sebrae Startups ajudam a dimensionar a força desse ambiente. O levantamento aponta a existência de cerca de 1,3 mil startups no estado, com predominância de soluções baseadas em software, forte atuação no modelo B2B (business to business) e concentração significativa em estágios iniciais de desenvolvimento.
O retrato revela um ecossistema em processo de consolidação, com polos regionais bem distribuídos e especialização alinhada às características econômicas locais. Do total mapeado, 64 startups foram fundadas no último ano, indicando renovação contínua da base empreendedora. Ainda assim, o cenário mostra desafios típicos de maturidade, especialmente relacionados à geração de receita e à capacidade de escalar operações.
Predomínio de software e modelo B2B
Entre as principais características das startups gaúchas está a centralidade do software como produto. Cerca de 40% das empresas desenvolvem soluções desse tipo, o que ajuda a explicar a predominância do modelo B2B, adotado por 54,7% dos negócios.
Outros formatos aparecem em menor proporção, como B2B2C (21,5%) e B2C (17,4%), enquanto modelos como B2G e C2C ainda têm participação pouco expressiva.
Esse perfil também se reflete nas estratégias de monetização. O modelo de assinatura (SaaS) é utilizado por 44,2% das startups, seguido por vendas diretas (26,9%) e modelos transacionais (8,3%). A combinação entre software, SaaS e B2B aproxima o ecossistema gaúcho das tendências mais consolidadas no Brasil e no exterior.
Tecnologia, saúde e agro lideram setores
A análise setorial mostra concentração em áreas intensivas em tecnologia e conectadas às vocações econômicas do estado. O setor de Tecnologia da Informação lidera, reunindo 16% das startups (208 empresas), seguido por Saúde e Bem-Estar (12%) e Agronegócio (7%).
Educação (7%) e Impacto Socioambiental (6%), além de Gestão e Consultoria (5,5%), também figuram entre os principais segmentos.
Segundo David Viegas, essa distribuição reforça a conexão entre inovação e economia local. “A presença do agronegócio entre os principais segmentos reforça a integração entre inovação e cadeias produtivas tradicionais do estado”, afirma. “Já segmentos como saúde e educação indicam espaço para soluções voltadas a serviços essenciais.”
Ecossistema ainda amadurece
O estágio de desenvolvimento das startups evidencia um ambiente ainda em evolução. A maior parte das empresas está na fase de validação (36,1%), seguida por tração (27,3%) e ideação (18,2%). Apenas 18,3% atingiram níveis mais avançados, como crescimento (14,4%) ou escala (3,9%).
A distribuição geográfica reforça a força de hubs regionais. Porto Alegre concentra 450 startups, seguida por Caxias do Sul (113), Passo Fundo (61), Novo Hamburgo (51) e Santa Maria (50).
Outras cidades, como Pelotas (45), São Leopoldo (43) e Gravataí (40), também se destacam, indicando um processo de interiorização da inovação e fortalecimento de ecossistemas fora da capital.
Outro traço marcante é o tamanho reduzido das equipes fundadoras. A maioria das startups é formada por dois sócios (37%) ou apenas um fundador (27%). Times com três integrantes representam 20%, enquanto estruturas maiores ainda são raras.
Desafios de escala e acesso a capital
Apesar da base técnica consolidada e do alinhamento com tendências globais, o avanço para estágios mais maduros segue como principal desafio.
“O ecossistema do Rio Grande do Sul tem base técnica consolidada, estando alinhado a tendências como SaaS e B2B, e com forte presença em setores estratégicos”, afirma David Viegas.
Ele ressalta ainda a importância de iniciativas de apoio para impulsionar o crescimento das startups. “O desafio de ajudar as startups a avançarem para estágios de crescimento e escala demonstra a importância de iniciativas de capacitação, conexão com mercado e acesso a capital — papel que vem sendo desempenhado por programas estruturantes como os do Sebrae Startups, que atua no apoio a negócios desde a ideação. Iniciativas como essas tendem a ser determinantes para a evolução desse conjunto de empresas”, completa.