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Sucessão familiar sem planejamento ameaça empresas no Brasil

Especialista alerta que falta de diálogo e preparo técnico coloca em risco até 40% das companhias familiares brasileiras até 2030, segundo pesquisa do IBGC

Sucessão familiar sem planejamento ameaça empresas no Brasil (Foto: Reprodução/Freepik )
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247 - A sucessão empresarial figura entre os principais desafios das companhias de origem familiar no Brasil e pode definir a continuidade ou o fim desses negócios. Embora a intenção de manter a empresa sob o comando das próximas gerações seja recorrente, a ausência de planejamento estruturado ainda compromete a sobrevivência de milhares de organizações no país.

De acordo com pesquisa do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), cerca de 40% das empresas familiares brasileiras correm o risco de encerrar suas atividades até 2030 justamente por não adotarem um plano sucessório claro e bem definido. O levantamento evidencia que o problema vai além da escolha de um herdeiro e envolve questões de gestão, preparo emocional e alinhamento de expectativas.

Para o psicólogo comportamental Marco Antonio Casagrande, sócio-fundador da Escola Mira — rede especializada no desenvolvimento de habilidades, educação financeira e empreendedorismo para crianças e jovens —, a sucessão não deve ser tratada como uma simples transferência de cargos ou patrimônio. “A sucessão começa com educação, vivência prática e, principalmente, com diálogo transparente entre os envolvidos. É preciso respeitar o perfil, os interesses e as competências de cada pessoa. Forçar a entrada na empresa sem preparo técnico ou emocional pode gerar frustração tanto para os pais quanto para os filhos”, afirma.

Segundo o especialista, outro aspecto decisivo para uma transição bem-sucedida é a separação clara entre os vínculos familiares e as relações profissionais. A criação de acordos formais, conselhos consultivos e planos de desenvolvimento individual ajuda a estabelecer regras, reduzir conflitos e dar mais segurança ao processo sucessório, além de contribuir para a profissionalização da gestão.

Casagrande destaca ainda que preparar um sucessor envolve muito mais do que apresentar a rotina da empresa. É necessário investir no desenvolvimento de competências como liderança, visão estratégica e capacidade de tomada de decisão em um cenário de negócios cada vez mais competitivo e dinâmico.

“O mercado está em constante transformação, por isso, a nova geração precisa estar preparada para inovar, profissionalizar a gestão e, ao mesmo tempo, preservar os valores que deram origem ao negócio. A transição bem-sucedida não acontece por acaso. Ela é resultado de planejamento estruturado, formação contínua e maturidade das partes envolvidas. Quando a família entende que sucessão é um processo, as chances de longevidade da companhia aumentam significativamente”, conclui o sócio-fundador da Escola Mira.