Turismo regenerativo permite que visitantes recuperem corais em Pernambuco
Experiência em Porto de Galinhas une ciência e turismo sustentável e permite que visitantes participem do cultivo de corais e acompanhem seu crescimento
247 - Às margens das águas cristalinas de Porto de Galinhas, no litoral de Pernambuco, o turismo movimenta diferentes setores da economia local, em grande parte formados por micro e pequenos negócios. A intensa circulação de visitantes, no entanto, também traz desafios: manter preservado o ambiente natural que torna a região um dos destinos mais procurados do Nordeste brasileiro. Nesse contexto, iniciativas que combinam turismo e sustentabilidade têm ganhado espaço.
Uma dessas iniciativas é a Biofábrica de Corais, startup criada há cinco anos com o objetivo de restaurar recifes de corais na região. A experiência foi apresentada, em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, durante a 23ª edição do Fórum Panrotas, realizada em São Paulo, um dos principais encontros de turismo corporativo do país.
A startup pernambucana desenvolve suas atividades em uma plataforma flutuante instalada no mar, onde biólogos marinhos conduzem ações de restauração do ecossistema local. Além do trabalho científico, o projeto abre espaço para a participação de turistas interessados em contribuir com a preservação ambiental.
O passeio, que dura cerca de três horas, inclui atividades educativas sobre os recifes de corais e permite que os visitantes participem diretamente do processo de cultivo. Durante a experiência, os participantes podem plantar um coral — oportunidade rara mesmo entre destinos de turismo ecológico. A empresa também oferece a possibilidade de adoção de um coral por um período de um ano, permitindo que o visitante acompanhe o desenvolvimento da colônia.
O cofundador da Biofábrica de Corais, Rudã Fernandes, afirma que iniciativas desse tipo ajudam a transformar o turismo em um agente ativo de preservação ambiental. “Essa projeção que o turismo regenerativo vem tomando pode ajudar muito o setor a ser mais sustentável”, defendeu.
Segundo ele, a participação no evento em São Paulo abriu portas para ampliar parcerias. “O principal resultado da participação no evento foi a realização de interlocução estratégica com os principais players do governo e do turismo no Brasil. Com a apresentação dos nossos produtos e soluções, podemos estabelecer novas parcerias comerciais”, contou.
Fernandes também destaca o papel do Sebrae na consolidação do projeto como produto turístico inovador. “Foi o Sebrae quem nos ajudou a tornar isso um produto, com esse viés de inovação. Ele é importante não só para a questão do turismo, mas também em relação aos processos ligados ao desenvolvimento do mercado da restauração de corais”, comenta.
A experiência da Biofábrica de Corais ganhou visibilidade internacional ao integrar o projeto Feel Brasil, uma vitrine global que reúne 101 experiências turísticas distribuídas em 61 municípios brasileiros. A iniciativa conta com curadoria do Sebrae e apoio da inteligência de mercado da Embratur, com o objetivo de aproximar turistas estrangeiros de experiências autênticas, sustentáveis e inclusivas no país.
Mais de 70% dos roteiros apresentados na plataforma são oferecidos por micro e pequenas empresas. Para a coordenadora de Serviços e Economias de Futuro do Sebrae, Ana Clévia Guerreiro, iniciativas como essa mostram o potencial do turismo aliado à preservação ambiental. “A Solução da Biofábrica de Corais é uma ação para o meio ambiente, na qual o turismo se beneficia. Propor a sustentabilidade é um desafio mundial e o Sebrae é um dos protagonistas nessa atuação”, afirmou.
Ela também destacou a importância da presença da startup no evento do setor. “Estivemos com eles no Fórum Panrotas para aproximar o tema e a startup do setor, por ser um encontro diversificado com quem toma a decisão nas corporações”, ressaltou.
O projeto Feel Brasil reúne roteiros traduzidos para mais de seis idiomas e apresenta experiências com fotos e vídeos produzidos profissionalmente. A plataforma permite que turistas internacionais conheçam e adquiram as atividades com facilidade, fortalecendo o turismo de experiência — uma tendência global que amplia o ticket médio das viagens e gera impacto positivo direto nas comunidades locais.